A difícil volta ao trabalho após licença maternidade

Por Kelly Kareline Cordova

Primeiro filho, segundo, terceiro… não tem jeito. A mãe começa a sofrer quando o retorno ao trabalho se aproxima. Nessa hora a gente se questiona se realmente vale a pena trabalhar, ou se é melhor largar o emprego e curtir mais de perto os primeiros meses (anos) da criança. Além disso, com quem deixar o bebê é outro questionamento. Creche, babá, avós?

Costumo dizer que a criança fica bem, a mãe que sofre, mas as vezes esse retorno, principalmente para as mães que só tem direito aos 4 meses de licença, acarreta outras preocupações, principalmente em relação a alimentação dos bebês. A Organização Mundial da Saúde afirma que o aleitamento exclusivo até os 6 meses é o ideal, mas como manter um aleitamento após o retorno ao trabalho? Será que é possível? Ou é melhor introduzir a alimentação aos quatro meses?

Quando tive a primeira filha comecei a sofrer quando ela tinha 3 meses. Chorava só de imaginar ter que deixá-la para trabalhar. Cogitei babá, creche, mas confesso que tinha medo de deixar aquele bebê tão indefeso nas mãos de pessoas desconhecidas para mim. Para aliviar o coração optamos pelas avós. Ficava de manhã com uma avó, eu a buscava no horário do almoço e deixava com a outra avó. Ah, quem dera se essa fosse uma opção viável para todas as mães. Essa rotina era muito puxada. Quando ela fez 9 meses optamos pela babá. Como moro ao lado da minha sogra, ela sempre ia conferir se estava tudo bem com a pequena.

Em relação a alimentação não teve muito mistério. Sofia já tomava fórmula e com 4 meses iniciou a papinha doce e salgada. Vale dizer que aparentemente ela não sentia muita falta da mamãe aqui. Mamava de manhã, na hora do almoço e a noite. Aos 9 meses não quis mais saber de peito.

Quando Fernando nasceu já tinha uma funcionária na minha casa há quase um ano e foi mais fácil pensar que ela poderia cuidar do Fernando. Ele já a conhecia e estava acostumado com ela. Minha grande preocupação era que ele só mamava no peito e eu tive que retornar ao trabalho antes dele completar os 5 meses. Eu queria muito manter apenas o leite até os 6 meses, mas fui fortemente desencorajada por quase todo mundo.

A bombinha de leite foi minha salvadora. Tirava leite de manhã cedo, antes dele mamar, tirava no trabalho e tirava em casa assim que chegava do trabalho. Problema do leite resolvido, a questão era que ele não aceitava esse leite de jeito nenhum. Tentamos colher, copo, mamadeira, sonda… não queria nada. Eu passava as tardes chorando no trabalho, com aquela vontade imensa de pedir demissão. Em alguns dias meu marido levava Fernando pra mamar lá. Em outros, eu ia em casa amamentar. Ainda bem que foram poucos dias até ele se adaptar ao copinho. Assim conseguimos chegar aos 6 meses de aleitamento exclusivo. Explicar esses detalhes sobre acondicionamento, maneira de transportar, dicas para tirar o leite e como oferecer, valem um novo texto. As informações valiosas que consegui com outras mães amigas eu precido dividir também com vocês.

E para você que está sofrendo com esse retorno, posso dizer que aos poucos a rotina vai se adaptando e pelo menos pra mim, foi bom voltar ao trabalho. Eu descansava um pouco a mente dessas obrigações de mãe e era um momento mais meu. Tenho muitas amigas que não conseguiram voltar ao trabalho e estão super realizadas. Atualmente consigo fazer grande parte do meu trabalho em casa e isso me trás muito alívio. Ao mesmo tempo consigo me sentir produtiva, mas também consigo ter bastante tempo com as crianças.

1 de outubro de 2017


2 Comentário

  1. Muito oportuno o texto, embora polêmico também. A questão levantada ou discutida, depende muito de uma mãe para outra, já que cada qual têm a sua opinião. Mães carentes e que precisam trabalhar o dia inteiro, não se enquadram no depoimento da autora, já que para ela não existe opção. É a creche integral e pronto. Claro que o peso do trabalho e o cansaço no final do dia nem lhe permite pensar no bem ou mal estar do bebê. Quando colei grau em Jornalismo, eu era a mais velha das formandas, e já estava com 45 anos. Porem, jamais me arrependo de ter esperado os meus 04 filhos crescerem para entrar na faculdade. Na minha opinião, não era justo deixá-los com minha mãe e minha sogra, com tias ou mesmo em creches e berçários. Eu havia feito a minha opção de ser mãe, e portanto procurei ser integral e totalmente. Hoje, mesmo mais velha porém formada, e ainda trabalhando na área escolhida, tenho a paz da consciência tranquila e do dever cumprido. Criei, e formei o caráter de 2 homens e 2 mulheres de bem.

  2. Tenho me esforçado ao maximo para conseguir chegar a amamentação exclusiva até os 6 meses. Estou bem confiante de que vamos conseguir. Seu relato é um encorajamento para mim. Uma injeção de ânimo em meio a tantos comentários que tenho recebido. Obrigada!

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