Estreia da coluna Sua Saúde, com o Dr Gustavo Francklin, destaca a importância de uma boa noite de sono

Por Dr. Gustavo Francklin

Nos dias atuais, dormir bem tem se tornado cada vez mais um artigo de luxo. Com o aumento das exigências do mercado de trabalho, do transito, das exigências da vida cotidiana, temos observado o aumento dos casos de insônia ou simplesmente a redução do tempo disponível para podermos descansar. O sono não é apenas um desligamento do cérebro para seu descanso, mas, sim, um estado ativo, cíclico, complexo e mutável, com profundas repercussões sobre o funcionamento do corpo e da mente.

Durante o sono, o corpo realiza diversas reações metabólicas, com o intuito de regeneração celular e reequilibrio do sistema imunitário. Por isso que, para atletas ou simplesmente, praticantes de atividade física, é essencial dormir de 7 a 9 horas, afim da reconstrução das fibras musculares utilizadas durante a prática de atividade física. A quantidade de horas necessárias depende de indivíduo para indivíduo, assim como outros fatores, como idade, nível de atividade física e estados especiais, como a gravidez por exemplo. Sabe-se que bebes precisam de muito mais tempo de sono, visto que estão em constante processo de proliferação celular, visando o crescimento do corpo, assim como idosos, que necessitam de menos horas de repouso, devido ao baixo metabolismo. À despeito das individualidades, a média de sono ideal é de 7 a 8 horas por noite.

Para iniciar o sono, o organismo inicia uma série de processos biológicos, com liberação de hormônios e outras sinalizações neurologicas, visando o inicio do processo. A este processo damos o nome de relógio biológico. A melatonina, produzida durante o período noturno ( principalmente no escuro), induz o sono, ao passo que o cortisol, que apresenta um pico principalmente pela manhã, é o responsável por nos despertar.

O sono é dividido em não REM e sono REM.

Sono Não REM

O sono NREM (ou não-REM) ocupa cerca de 75% do tempo do sono e divide-se em três períodos distintos conhecidos como estágios N1, N2, e N3.

  • Estágio N1:

Começa com uma sonolência. Dura aproximadamente cinco minutos. A pessoa adormece. Esse estágio tem uma duração de um a dois minutos, estando o indivíduo facilmente despertável. Predominam sensações de vagueio, pensamentos incertos, contrações involuntárias das mãos e dos pés, lenta contração e dilatação pupilar.

  • Estágio N2:

Caracteriza-se por a pessoa já dormir, porém não profundamente. Dura cerca de cinco a quinze minutos.  Nessa fase, os despertares por estimulação táctil, fala ou movimentos corporais são mais difíceis do que no anterior estágio.

  • Estágio N3:

Esse estágio tem a duração de cerca de quinze a vinte minutos, inicialmente, seguidos por quarenta minutos de sono profundo. É muito difícil acordar alguém nessa fase de sono. Depois, a pessoa retorna ao início do terceiro estágio (por cinco minutos) e ao segundo estágio (por mais quinze minutos). Entra, então, no sono REM.

Este estágio NREM do sono caracteriza-se pela secreção do hormônio do crescimento em grandes quantidades, promovendo a síntese proteica, o crescimento e reparação tecidular, inibindo, assim, o catabolismo. O sono NREM tem, pois, um papel anabólico, sendo essencialmente um período de conservação e recuperação de energia física.

Sono REM

O sono REM caracteriza-se por uma intensa atividade registrada no eletroencefalograma (EEG) seguida por flacidez e paralisia funcional dos músculos esqueléticos. Nesta fase, a atividade cerebral é semelhante à do estado de vigília. Deste modo, o sono REM é também denominado por vários autores como sono paradoxal, podendo mesmo falar-se em estado dissociativo.

Nesta fase do sono é que costumamos sonhar.

A fase representa 20 a 25% do tempo total de sono e surge em intervalos de sessenta a noventa minutos. É essencial para o bem-estar físico e psicológico do indivíduo. A falta de descanso acarreta imunidade baixa, aumento do apetite,ganho de peso, falta de coordenação motora, falta de concentração, dificuldade para tomar decisões e sensibilidade ou irritabilidade, além de dificuldade para reconstrução muscular. Portanto, organize melhor seu tempo e comece a dar prioridade ao descanso.

5 DICAS PARA DORMIR MELHOR:

1- TENHA HORÁRIOS REGULARES PARA INICIAR O SONO, INCLUSIVE NOS FINAIS DE SEMANA

2- MANTENHA A TEMPERATURA BAIXA NO AMBIENTE ONDE VAI DORMIR

3- DURMA NO ESCURO

4- NÃO FIQUE ACORDADO NA CAMA

5- EVITE O USO DE BEBIDAS ESTIMULANTES COMO O ÁLCOOL E A CAFEÍNA PRÓXIMOS AO SONO

6 de novembro de 2017