A posse de Torquato Jardim e a memória curta do PT

Os petistas do Congresso Nacional criticam a escolha de Torquato Jardim para o Ministério da Justiça dizendo que, na verdade, ele será o advogado de defesa de Michel Temer nas denúncias que dos delatores da JBS contra o presidente. Por enquanto é uma suposição, que, se confirmada, não será muito diferente do papel exercido pelo então ministro da Justiça de Dilma Roussef, José Eduardo Cardoso. Foi tão forte o envolvimento de Cardoso no assunto enquanto Dilma lutava contra o impeachment, que ao deixar o Governo o jurista assumiu oficialmente a defesa da ex-presidente perante a Justiça.

E, apesar de todo o esperneio do PT e seus ainda pouco aliados, Torquato Jardim toma posse hoje como Ministro da Justiça. Entretanto, a dança de cadeiras pretendida por Temer não se confirmou, porque o deputado Osmar Serraglio recusou o convite para assumir o Ministério da Transparência. Há a esperança de que um dos outros três deputados peemedebistas da bancada paranaense aceite um convite para o primeiro escalão do Governo. Caso isso não ocorra, Rodrigo Rocha Loures perderá o foro privilegiado e poderá ter que se explicar mais rapidamente sobre a mala que recebeu com 500 mil reais e acabou devolvendo após a delação dos proprietários e executivos do Grupo JB.

Nem a Friboi?
Não está fácil a vida do advogado Willer Tomaz, suspeito de oferecer tráfico de influência para JBS, por R$ 8 milhões. Além do risco de perder sua inscrição na OAB, o causídico está encontrando dificuldades em rentabilizar suas rádios arrendadas de Paulo Octávio. Tomaz chegou a investir pesado nas mesmas, montando o que, para muitos, é um dos mais modernos estúdios de rádio no DF. Acontece que além de não conseguir ancoras que queiram ligar suas imagens (ou vozes) com uma pessoa envolvida na na Lava Jato, está com dificuldades de obter anunciantes.

Juízes suspeitos
Até agora não apareceram os nomes dos dois magistrados que supostamente também teriam recebido propina da JBS. Há uma explicação além do suposto corporativismo para a não revelação dos suspeitos. Caso os nomes vazassem, choveriam processos de anulação das decisões tomadas pelos magistrados, diante da suspeição das mesmas.

31 de Maio de 2017