Alimentação do bebê começa na barriga da mãe

Por Luciana Battella

A educação nutricional de uma criança inicia-se na gestação, pois o líquido amniótico altera sabor de acordo com a alimentação da gestante, como o feto engole esse líquido, a exposição a sabores inicia-se intra- urterinamente.

Na amamentação, a alimentação materna também é de fundamental importância, pois o leite materno altera o odor, o sabor e o valor nutricional de acordo com o que a mãe se alimenta. Vale ressaltar que leite materno também é meio de excreção de toxinas maternas, portanto, ao consumir produtos alimentícios, cheios de corantes, conservantes, acidulantes, bebidas alcoólicas e outras toxinas alimentares, a mãe estrará favorecendo a intoxicação do bebê. Mães desnutridas conseguem amamentar mas o leite terá carências nutricionais. Existem muitas dúvidas nessa fase, principalmente em relação a cólicas e refluxo do recém nascido. Realmente alguns alimentos presentes na alimentação materna, como leite e derivados, favorecem tais sintomas, mas a orientação por um profissional competente é fundamental para não comprometer a qualidade do leite materno e o crescimento e desenvolvimento do recém- nascido.

As cólicas do recém-nascido estão relacionadas a uma imaturidade do trato gastrointestinal do bebê. O intestino do bebê é muito pouco colonizado por bactérias e que têm papel fundamental para o adequado funcionamento desse órgão. Um adulto tem mais bactérias intestinais que células no corpo, isso mesmo, nós “habitamos as bactérias”! O comportamento alimentar adequado da mãe favorece a colonização intestinal do bebê o que também refletirá em sua saúde geral até a vida adulta.

Por volta dos seis meses o bebê precisará complementar a alimentação, pois o leite materno já não supre todas as suas necessidades nutricionais. O ideal é fazer uma introdução alimentar gradativa e orientada para possibilitar a observação de possíveis sintomas relacionados a intolerâncias, alergias e hipersensibilidades alimentares. Sugiro iniciar a introdução com vegetais e não com frutas. Faça um exposição inicial de 3 vegetais (batata doce, abóbora, chuchu, por exemplo), ou seja, ofereça uma pequena quantidade, 3 colheres de sopa, sem substituir a mamada, de um vegetal cozido no vapor, amassado, sem tempero e sem sal, observe por 3 dias possíveis reações como dermatites, alterações em fezes como muco e sangue, refluxo, cólicas, agitação, irritabilidade etc. Faça isso com 3 vegetais de cores diferentes, após essa exposição já será possível montar uma primeira refeição com esses vegetais previamente testados. Dessa maneira será possível variar um vegetal e continuar, gradativamente, a inclusão de novos alimentos.

A correta introdução alimentar refletirá na saúde geral e intestinal do bebê até sua vida adulta. O intestino tem papel regulador do metabolismo e responde por aproximadamente 80% de nossa imunidade, portanto, um bebê ou um adulto com intestino inadequado poderá apresentar sintomas como baixa imunidade, sono inadequado, dermatites, alergias, dores articulares, fadiga dentre outros sintomas.

29 de setembro de 2017