Alimentação na adolescência influencia até nas espinhas

Por Luciana Battella

Os adolescentes são frequentemente considerados como um grupo de risco nutricional em razão de seus hábitos alimentares. A adolescência é uma fase de grande necessidade nutricional para desenvolvimento adequado além de ser importante para manter ou criar bons hábitos alimentares para o resto da vida.

Fatores psicológicos, sociais, influência de amigos, rebeldia, busca de autonomia, hábito de preparar seu próprio alimento e o costume de comer fora de casa repercutem no padrão alimentar e saúde, inclusive a longo prazo.

Devido a muitas atividades exercidas pelos jovens durante o dia, resta pouco tempo para o planejamento das refeições e para a escolha dos alimentos. A omissão frequente de refeições ou ingestão de alimentos inadequados (produtos industrializados, lanches substituindo grandes refeições como o almoço ou o jantar) ou dietas não orientadas está muito presente no hábito do adolescente.

O fácil acesso e o incentivo da propaganda ao consumo de refeições rápidas como lanches e produtos industrializados podem modificar o hábito alimentar dos jovens. A propaganda incentiva consumo de alimentos inadequados, de baixo valor nutricional. Lanches, normalmente, possuem menor quantidade de nutrientes como zinco, vitamina A, vitamina E, vitaminas do complexo B, cálcio e ferro, que são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento, possuem maior quantidade de sal, carboidratos (açúcares) e gorduras ruins, favorecendo o desequilíbrio metabólico como aumento da insulina, perda de cálcio na urina e produção de substâncias inflamatórias.

Outro grande problema presente na população adolescente é o consumo de bebidas alcoólicas. Perto de 39% dos adolescentes em idade escolar bebem moderadamente, enquanto 28% bebem frequentemente. O consumo de álcool favorece uma série de desequilíbrios metabólicos. O álcool é metabolicamente reconhecido como toxina e o fígado é responsável pelo processo de desintoxicação. Esse processo é complexo e demanda muitos nutrientes, ou seja, o corpo gastará os nutrientes para destoxificar, ou seja, o álcool desnutre. A baixa ingestão de nutrientes associada a necessidade metabólica de desintoxicar trará grandes comprometimentos à saúde e riscos de doenças na adolescência e na fase adulta.

A acne também é uma queixa importante nessa fase e está muito relacionada ao aumento da oleosidade da pele provocada pelo aumento dos hormônios, principalmente testosterona. O aumento da oleosidade com a inflamação de baixa intensidade e as carências nutricionais como zinco favorece o surgimento da acne.

Algumas dicas para melhorar, evitar ou tratar a acne:

  • Intestino saudável ajuda a manter uma pele saudável e desinflamada. É importante cuidar do intestino consumindo fibras prebióticas, substância presente em verduras, legumes e frutas e que promove o equilíbrio das bactérias intestinais. Uma adequada microbiota intestinal favorece uma microbiota da pele adequada.
  • Aumentar o consumo de vitaminas, minerais e compostos fitoquímicos (substâncias presentes nos alimentos e que possuem efeito medicamentoso como ação anti-inflamatória). As principais fontes de vitaminas, minerais e fitoquímicos são verduras, legumes e frutas.
  • Incluir boas fontes de zinco (carnes, sementes como a de abóbora, girassol e gergelim, castanhas, cereais integrais, ostras), vitamina A e beta caroteno (goiaba, sardinha, ovos, manga, pimentão vermelho, cenoura, espinafre, tomate, fígado, batata doce), vitamina C (frutas cítricas, acerola, goiaba, pimentão, kiwi, brócolis), cálcio (gergelim, vegetais verdes-escuros como brócolis, couve, espinafre) e vitamina E (castanhas, semente de abóbora, ovos, salmão, pêssego, quiabo, amora).
  • Reduzir alimentos inflamatórios como leite e derivados, doces e alimentos ricos em carboidratos.
  • Chá verde, ômega 3 dos peixes, açafrão, as berrys (gojiberry, blueberry etc.), açaí (sem xarope de guaraná), amora e outras frutas escuras são interessantes fontes de fitoquímicos com ação anti-inflamatória.
  • Alguns suplementos nutricionais como chlorela, glutamina, ômega 3, probióticos, complexos vitamínicos e de minerais podem ajudar, mas só devem ser usados mediante prescrição de um profissional competente.

Adolescentes devem ser avaliados constantemente pelo médico e pelo nutricionista, que verificarão seus dados clínicos, evolução de crescimento, composição corporal, crescimento e desenvolvimento, adequação alimentar e necessidade de suplementação.

20 de outubro de 2017


1 Comentário

  1. Excelente artigo. Parabéns. Essa profissional eu atesto: faz o que diz. Inclusive na família. Palavra de mãe…

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