Boa alimentação previne doenças degenerativas

Por Luciana Battella

Doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e esclerose lateral amiotrófica estão associadas a processo inflamatório.

A presença de inflamação crônica e de baixa intensidade promove grande propensão a inflamação do Sistema Nervoso Central (SNC), pois as substâncias inflamatórias denominadas citocinas atravessam a barreira hematoencefálica (sangue e cérebro) provocando ativação da micróglia (células que agem como macrófagos, participando, portanto, da defesa do tecido nervoso). Na presença de inflamação crônica, o corpo opta por apoptose (morte) celular. Outros fatores relacionados a ativação da micróglia são:

  1. Presença de metais pesados circulantes no sangue como o alumínio (proveniente das panelas), mercúrio (presente em amalgmas dentários), cádmio (presente em cigarros).

  2. Excesso de radicais livres e baixa capacidade antioxidante do corpo pela má nutrição ou estresse crônico.

  3. Infecções recorrentes.

  4. Alergias alimentares.

  5. Disbiose intestinal, ou seja, desequilíbrio da microbiota intestinal. Este desequilíbrio é causado pela diminuição do número de bactérias boas do intestino e aumento das bactérias patogênicas.

Devido ao processo inflamatório, há morte de neurônios. Caso os neurônios atingidos sejam os responsáveis pela produção de dopamina (neurotransmissor), haverá probabilidade do desenvolvimento da doença de Parkinson, mas se os neurônios atingidos forem os colinérgicos (que produzem o neurotransmissor acetil colina), haverá um possível desenvolvimento do Alzheimer.

A prevenção de doenças neurodegenerativas é o melhor tratamento. Para isso, é importante :

  1. Tratar o intestino (principal órgão do sistema imune) retirando irritantes e alergenos alimentares, aumentando o consumo de fibras, repondo a microbiota (tratando a disbiose) e oferecendo nutrientes.

  2. Buscar controle do estresse com exercícios, fitoterapia, alimentos como abacate e semente de abóbora.

  3. Reduzir o consumo de alimentos inflamatórios como: açúcares, leite e derivados, industrializados, corantes artificiais.

  4. Incluir alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios como:

  • açafrão (cúrcumina);

  • oleaginosas (fontes de vitamina E);

  • antocianidinas, presentes no açaí, amora, jamelão;

  • resveratrol, presente na uva;

  • ômega 3 (peixes e algas);

  • polifenóis do chá verde;

  • quercetina da cebola e maçã;

  • N-acetil cisteína, presente nos alimentos vermelhos, alho, cebola, brócolis, couve de Bruxelas, aveia;

  • vitamina C, presente na goiaba, cítricos, kiwi, acerola;

  • selênio, presente na castanha do Pará;

É preciso ter cuidado com suplementação de vitaminas e minerais sem orientação, pois alguns nutrientes quando suplementados sem a real necessidade trarão prejuízo à saúde por aumentarem a produção de radicais livres e danos celulares.

O ideal é buscar uma orientação nutricional individualizada para que seja possível considerar particularidades como a presença de outras doenças, necessidades nutricionais, queixas associadas, alergias, intolerâncias e hipersensibilidade alimentares.

11 de novembro de 2017