Câmara lança Frente Parlamentar de Combate às Drogas e à Dependência Química

O lançamento da Frente Parlamentar de Combate às Drogas e à Dependência Química reuniu representantes do governo e integrantes de comunidades terapêuticas no plenário da Câmara Legislativa na manhã desta última quinta-feira (13). O presidente do colegiado, deputado Reginaldo Sardinha (Avante), assumiu o compromisso de fortalecer os centros de recuperação “para que os pacientes possam receber tratamento adequado e assistência do Estado”. A inclusão das comunidades terapêuticas nos programas de saúde na família e o licenciamento para o funcionamento dessas comunidades em áreas rurais são algumas das indicações de Sardinha.

A frente parlamentar trabalhará com a política antidrogas do DF, na avaliação do secretário Quirino Cordeiro Júnior, da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, que defendeu parcerias entre o Executivo e o Legislativo federal e local. Segundo ele, a população brasileira é majoritariamente contrária à legalização das drogas no País e as políticas públicas devem caminhar em acordo com esse propósito.

A questão passa não apenas pelo combate, mas também pelo “cuidado daqueles que se deixaram levar pelas drogas”, para o ministro substituto do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Sérgio Luiz Carazza. “A ministra Damares tem procurado aliar-se a parceiros que têm a mesma proposta”, disse. O ministro considerou ainda que as comunidades terapêuticas “amparam os que precisam ser resgatados e cuidados”.

Ao declarar total apoio à política antidrogas do governo federal, a presidente da Federação Centro-Oeste de Comunidade Terapêutica (FEBRACT), Areolenes Nogueira, comemorou a recém conquistada legalidade das comunidades terapêuticas. Segundo ela, as comunidades espalhadas pelo Brasil, sob a organização da FEBRACT, estão preparadas para atender “os acolhidos”. Mesma opinião manifestou o procurador da federação, Ricardo Valente, para quem o Estado “fomenta a cidadania plena” por meio de ações como a regularidazação das comunidades. Ele rebateu as críticas sobre a internação compulsória e o quantitativo de dependentes no País, as quais ele considerou “cortinas de fumaça” para o real problema, que é o alto índice de consumo no Brasil de crack, álcool, tabaco, sedativos, cocaína e outras drogas. “Comunidade terapêutica não é manicômio, é lugar de festa, amor e devoção”, acrescentou.

O trabalho conjunto entre secretarias do DF e entidades sociais é necessário para o enfrentamento do problema, segundo a subsecretaria de Saúde do DF, Renata Rainha. Ela considerou que os sete CAPS existentes no DF não são suficientes para lidar com a questão, uma vez que “o tratamento é complicado e difícil”. Corroborou com esta posição o subsecretário de Enfretamento às Drogas da Secretaria de Justiça do DF, Rodrigo Barbosa, que destacou o apoio da CLDF. De acordo com Barbosa, os eixos das políticas públicas passam pela prevenção, tratamento e reinserção.

Recuperação – Familiares de dependentes contaram suas experiências, a exemplo do coordenador regional da Federação do Amor-Exigente, Roberto Cavalcanti, que defendeu a “sensibilização da família” sobre a complexidade do problema. Internações e recaídas são rotina, contou Cavalcanti sobre o processo de dependência do filho. Para o coordenador, é necessário evitar os “fatores de risco presentes no próprio contexto familiar”. Ele sugeriu à Frente a inclusão de conteúdo sobre prevenção à dependência química nos programas curriculares das escolas.

Vários ex-usuários narraram suas histórias, entre eles Darley Cesar de Jesus, que relatou o “processo espiritual que envolve a recuperação”, focado, segundo ele, na “transformação” pela fé religiosa. Canções e apresentações de teatro foram outras formas de expressão de ex-dependentes durante o evento.

 

Com informações do Núcleo de Jornalismo da  Câmara Legislativa do Distrito Federal

14 de junho de 2019


Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*