Como vai seu peso? Não se guie só pela balança

Por André Pontes

Ontem, enquanto eu estava parado em um sinal de trânsito em frente à uma farmácia, reparei em um grupo de quatro adolescentes que se acotovelavam para subirem na balança, todas visivelmente acima do peso. Apenas posso imaginar o que se passa na cabeça de alguém nessa idade quando o assunto é obesidade e aproveito a deixa para esclarecer alguns pontos importantes a respeito de peso, composição corporal e obesidade.

Segundo pesquisa encomendada em 2016 pelo Ministério da Saúde, 6 em cada 10 brasileiros apresentam sobrepeso, e destes, 2 apresentam obesidade em alto grau. São muitos os problemas de saúde decorrentes do acúmulo excessivo de gordura, especialmente na região abdominal, e na maioria dos casos as consequências são graves.

A forma mais comum de se verificar a obesidade é o peso, mas está longe de ser precisa. O cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal) para grandes populações foi desenvolvido no fim do século XIX, uma época em que não era possível fazer exames mais detalhados por falta de tecnologia ou custo dos equipamentos. Hoje em dia, podemos comprar uma balança de banheiro com cálculo de bioimpedância por menos de R$ 100,00, o que facilita muito, mas ainda é preciso saber interpretar os dados.

Balança e composição corporal são completamente diferentes. Vamos ilustrar: o Exterminador do Futuro pode subir na balança e pesar tanto quanto o Shrek, mas obviamente eles não são iguais! Talvez você não saiba que a tenista americana Venus Williams pesava 75kg no auge da sua forma e que o ciclista olímpico alemão Robert Fostermann pesou 94kg do alto dos seus 1,74m, em Londres 2012. O que eu quero exemplificar é que peso é muito diferente de composição corporal e não serve como parâmetro para determinar obesidade. As adolescentes na farmácia estavam apenas procurando motivo para pegar no pé da que fosse mais pesada, mas não necessariamente mais gorda.

O número de pessoas interessadas em perder peso é enorme, mas poucas delas entendem que a balança é um parâmetro insuficiente de comparação. É preciso entender que a proporção entre gorduras, músculos, massa visceral e óssea interfere diretamente em nossa qualidade de vida. Cada uma representa algo que acontece em nosso corpo – gordura representa estoque de energia, músculo representa funcionalidade, ossos e vísceras representam suporte para o sistema e todos eles juntos representam um organismo em funcionamento.

Vamos ao que interessa. Quando alguém muda seus hábitos e inicia um programa de atividades físicas e ajustes alimentares, é comum ocorrerem primeiro alterações nas medidas e, somente depois de alguns dias ou semanas, alterações de peso. É importante conter a ansiedade e permanecer fiel às atividades, pois as mudanças virão. Hábitos precisam ser mudados antes de se chegar aos resultados, mas na maioria das vezes é bem complicado fazer isso acontecer. Para alguém interessado em emagrecer, a balança tem um peso psicológico muito grande, então entenda o seguinte:

– quando iniciamos um programa de exercícios, o estímulo causa acúmulo de água dentro das células musculares, e água pesa na balança. O acúmulo de água é necessário para manter a funcionalidade das células e não significa, de forma alguma, que você está engordando (ganhar peso não é necessariamente acumular gordura);

– músculos são muito mais densos e compactos do que gordura e, assim, ocupam bem menos espaço do que o mesmo peso em gordura, por isso suas medidas diminuirão mais rapidamente que seu peso;

– praticar atividades físicas que incluam exercícios cíclicos (aeróbios) pode ajudar a diminuir seu peso na balança mais rapidamente – não necessariamente pela queima de gordura, mas pela melhoria da circulação periférica e estímulo do sistema linfático, fazendo com que seu corpo elimine água “represada” e toxinas. Isso também é importante;

– ganhar dos dois lados – tanto perder gordura quanto acumular músculos representam ganhos. Se você elimina 5kg de gordura e ganha 2kg de massa muscular, sua alteração positiva total é de 7kg, mas a balança só mostra uma diferença de 3kg;

– músculos são consumidores de calorias e grande parte delas vem das gorduras acumuladas pelo corpo, então é recomendável que a proporção de músculos seja tão alta quanto possível.

No fim das contas, lembre-se do Shrek e do Exterminador do Futuro. Evite ter a balança como único parâmetro e seja psicologicamente forte, porque é muito comum ganharmos um quilo ou dois ao iniciarmos nossas atividades físicas. Aguarde um prazo médio de 8 a 12 semanas para visualizar os resultados que serão reais de fato, fazendo ajustes de dietas e exercícios a partir daí. Recomendo usar também o teste da calça jeans, cinto e camiseta regata, que pode indicar alterações significativas na sua composição corporal (clique aqui para aprender: http://extrapauta.com.br/seu-corpo-esta-em-forma-pra-praia-ainda-da-tempo-2/)

Mens sana in corpore sano!

Até a próxima!

2 de outubro de 2017