Consumidor cético quanto à redução do preço dos combustíveis na bomba

Rogério Sampaio/Portal Extrapauta

A Petrobras anunciou sexta-feira, 25, a redução em 5,4% no preço médio da gasolina nas refinarias e em 3,5%, do diesel. Segundo a companhia, a decisão é resultado da avaliação feita pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP), acompanhando a política de preços anunciada em outubro do ano passado.

Kátia Brito, assistente administrativa

Como a legislação brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, as revisões feitas para as refinarias podem, ou não, se refletir no preço final ao consumidor. “Isso depende de repasses feitos por outros integrantes da cadeia de combustíveis, especialmente distribuidoras e postos revendedores,” destaca a empresa.

Pelos cálculos da Petrobras, caso o ajuste seja repassado integralmente e não haja alterações nas demais parcelas que compõem o preço ao consumidor final, o custo do diesel para o consumidor final pode cair 2,2%, ou cerca de R$ 0,07 por litro, em média; e o da gasolina, 2,4%, ou R$ 0,09 por litro, em média.

Desconfiança

Logo após o anúncio da Petrobras  referente à diminuição do valor dos combustíveis repassados às refinarias, e da ressalva da companhia de que a redução do preço dos combustíveis nas bombas depende do comportamento da cadeia produtiva, a reportagem do portal Extra Pauta visitou alguns postos de gasolina de Brasília, para aferir junto aos consumidores a expectativa de que essa redução possa chegar no bolso dos proprietários de veículos.

Fabrício Bandeira, servidor público

Para Kátia Brito, assistente administrativa, é evidente que a diminuição do preço dos combustíveis para as distribuidoras não será sentida na ponta final da cadeia de consumo, os distribuidores. “Basta comparar com as promessas anteriores para termos a certeza de que tal benefício não se concretizará” Afirma Kátia.

Na opinião do servidor público, Fabrício Bandeira, existe uma torcida para que o consumidor de combustível, afinal possa ter a percepção de queda no preço do produto. “Todavia – explica Bandeira – não é o que a sociedade vem observando ao longo dos tempos, em relação a anúncios similares. Vale registrar que por determinação do CADE, recentemente, tivemos aqui na cidade a quebra de jum monopólio vergonhoso, mas no geral os valores a menos nunca são repassados em sua integralidade”, explicou o servidor.

Já para Adriano Oliveira, empresário, que atua no ramo de vidraçaria e depende de veículos para transporte de materiais e produtos finais aos seus clientes, essa pode ser, de fato, uma boa notícia. “Qualquer redução de preço sempre é muito bem vinda. Se refinarias e distribuidoras obtêm desconto na aquisição do combustível conseguem o desconte na íntegra, por que esse repasse não chega ao consumidor? Às vezes nos deparamos com a situação de, mesmo a Petrobras oferecendo desconto, aqui na ponta final, na bomba do posto,  nos deparamos com aumento de preços, uma situação surreal”, conclui Oliveira.

Adriano Oliveira, empresário

Livre mercado

Conforme dito anteriormente, logo após a intervenção do CADE no desmonte do monopólio que atuava livremente na formação do preço dos combustíveis no DF, praticado em larga escala sob a batuta do Grupo Casol, o motorista brasiliense começou a conhecer as delícias da livre concorrência, inclusive com variações significativas de preços. Procurado pela reportagem do Extra Pauta a fim de conhecer as diretrizes e orientações aos seus associados, no tocante a variação desse repasse, o Sindicombustíveis – Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do DF – que representa a  categoria patronal, não se manifestou até o fechamento dessa matéria.

30 de maio de 2017