Cronobiologia e a influência no emagrecimento e no ganho de massa muscular

Por Luciana Battella

Old aged paper with medical symbol of vitruvian man by Leonardo da Vinci

Cronobiologia é o estudo da influência do ciclo circadiano (relógio biológico) no metabolismo, comportamento alimentar e expressão proteica.

10% do genoma humano é controlado por clock genes, genes do relógio envolvidos no controle do ciclo circadiano. Estudos demonstram que pessoas que não respeitam ou quebram esse ciclo apresentam desequilíbrios metabólicos e envelhecimento celular precoce. Ter rotina é fundamental para respeitar o ciclo circadiano.

O ciclo circadiano é marcado pela ausência ou presença da luz, ou seja, a presença ou ausência de luz nos olhos age no núcleo supraquiasmático, localizado na porção anterior do hipotálamo e imediatamente acima do quiasma óptico.

Recebe informação da retina diretamente, sobre o ritmo claro/escuro do ambiente. Essas informações permitem uma sincronização do organismo com as 24 horas do dia geográfico. A luz na retina estimulará a produção de dopamina e cortisol neurotransmissores estimulantes e envolvidos no despertar. Portanto, ao dormir, o quarto deve ser bem escuro, do contrário, a dopamina e outros neurotransmissores excitatórios serão produzidos e atrapalharão a qualidade e ou quantidade do sono, do descanso e controle hormonal. Já a ausência de luz estimula a produção de serotonina e melatonina, importantes para boa quantidade e qualidade de sono.

O hormônio de crescimento (GH) é fundamental para o crescimento, o desenvolvimento, a juventude e o ganho de massa muscular . Esse hormônio é produzido em grande quantidade na infância, adolescência, durante o exercício físico e ativado no sono REM (fase profunda do sono). A privação ou má qualidade de sono comprometem a produção e ativação desse hormônio, consequentemente dificultará o ganho e a manutenção de massa muscular, além de favorecer o desequilíbrio metabólico.

O estresse crônico é outro grande fator de risco, pois predispõe o aumento do cortisol (hormônio que aumenta no estresse) alterando o metabolismo energético. A partir do cortisol há formação do colesterol pelas adrenais, o que explica grande parte do aumento do colesterol na presença do estresse crônico. Hormônios androgênicos como a testosterona são formados a partir do colesterol, contudo, no estresse, a prioridade metabólica é a formação do cortisol, desviando a via e gerando baixa produção de testosterona, importante no ganho de massa muscular. Além disso o cortisol é um hormônio proteolítico, ou seja, faz proteólise ou quebra de proteínas favorecendo a redução da massa muscular. 63% das doenças crônicas têm base no estresse crônico. Acordar, pela manhã, sem fome, entre outros fatores, sugere que o cortisol se manteve alto durante a madrugada e a glicose do sangue encontra-se mais alta que o indicado.

A redução da massa muscular associada ao sedentarismo, erro alimentar e desequilíbrio metabólico promovem o ganho de gordura corporal. Segundo revisão feita por Trayhurn & Wood (2004), a obesidade é caracterizada como estado de inflamação crônica de baixa intensidade. A inflamação responde de forma diretamente proporcional ao aumento da adiposidade corporal. Ou seja, a inflamação contribui para as consequências fisiopatológicas da obesidade. Muitas vezes o quadro inflamatório presente na obesidade torna o tecido adiposo resistente e dificulta o emagrecimento, sendo assim, faz-se necessário, primeiramente, tratar a inflamação para tornar possível o emagrecimento. Sabe-se ainda que alterações no ritmo alimentar como alimentar-se de madrugada, consumo excessivo de carboidratos e gorduras ruins alteram o ritmo circadiano e o comportamento hormonal.

A prática regular de exercícios físicos, uma alimentação adequada anti-inflamatória, sono adequado e hábitos rotineiros colaboram para manutenção de um ciclo circadiano adequado e consequentemente para sua saúde.

24 de novembro de 2017