Lembra desse time que marcou história no futebol candango?

O time de futebol do CEUB foi mais que um divisor de águas, ou apenas  um elo entre dois momentos do esporte brasiliense. Visto com desconfiança – e até mesmo motivo de ironia no começo-, a equipe foi se tornando uma espécie de Dom Quixote, na medida em que foi se impondo com garra no cenário futebolístico nacional, vencendo  preconceitos e se tornando o segundo time na preferência de muita gente

Por Eduardo Monteiro

CEUB em 1974, estádio Mané Garrincha. Em pé (a partir do segundo): Pedro Pradera, Cláudio Oliveira, Jorge Luís, Emerson, Rildo, Valdir e Cláudio Garcia - técnico. Agachados: Marreta - massagista, Cardosinho, Gilberto, Carlos Alberto, Péricles e Dario.

Nosso objetivo não é contar a história do futebol brasiliense, por considerar que outros colegas que nos antecederam já o fizeram de forma satisfatória. Nos dispomos aqui a fazer um recorte e recontar o capítulo que fala do CEUB. Do time que surgiu desacreditado e fez história no cenário futebolístico brasileiro.

Isso não impede que a qualquer momento possamos falar sobre outros episódios. Mas não seguindo à risca a forma cronológica dos acontecimentos.

Como sempre, o que nos move e fascina é o inusitado, o pitoresco e o curioso. Aquela centelha capaz de motivar um sorriso, um espanto, um franzido na testa do leitor.

CEUUUBA!

Time do CEUB, no campeonato brasileiro de 1975

Como surgiu o “CEUBA”, termo que virou grito de guerra da torcida?  Como um torcedor, ex-morador de rua- até então desconhecido-, consagrou uma expressão (CEUBA), e se tornou símbolo de uma torcida. Foi a partir daí que começamos a pesquisar e conversar com pessoas que viveram esse tempo, ou que detêm informações preciosas sobre ele. Entre as pessoas com quem já falamos está o Péricles, tido por muitos como a principal estrela do time.

UM CRAQUE EM DOIS TEMPOS

Péricles, em 1973, no treino do CEUB.

Péricles, em 2017, gerente de e-commerceUma equipe que durou apenas 3 anos, mas que deixou muitas histórias e muitas saudades também. A partir da próxima semana, você é nosso convidado e coautor. Vamos juntos recontar essa história! Mande informações, textos, fotos. Sua contribuição é superimportante!

Antes porém, vamos voltar no tempo… 

APITA O ÁRBITRO, JÁ ESTÁ VALENDO!

O campo é de barro e improvisado. A bola mais quica do que rola. Começa o jogo. Tem vento, tem poeira, mais a paixão é maior. Mais times, mais peladas. Surge o Guará, primeiro time de futebol fundado em Brasília no ano de 1957. À época, a futura Capital era apenas um imenso canteiro de obras, e o incipiente futebol candango: uma das poucas diversões daquele longínquo planalto vazio.

A disputa era ferrenha. Cada construtora tinha seu time e sua torcida. Defelê (primeiro tricampeão local e 1º representante do DF na Taça Brasil-1963), Rabelo, Pederneiras, Nacional, Planalto, CMC, Coenge, Cruzeiro, entre outros. O barro vermelho servia de palco para as jogadas de Íris, Paulo Reis, Severo, Rubens Bimba, Ely, Vitinho, Gaguinho e tantos outros. Além de Didi (técnico tricampeão pelo Defelê) e para muitos outros pioneiros e inventores do futebol local.

 

O CRAQUE JUVENAL, ESTEVE POR AQUI

No melhor estilo: “Quem Diria, Terminou no Irajá”, após pendurar as chuteiras, Juvenal, ex-craque de futebol com passagens vitoriosas pelo Botafogo, Vasco, Flamengo e Seleção Brasileira, tendo inclusive jogado a Copa do Mundo de 1950, no Brasil,  mudou-se para Brasília. Em 23 de julho de 1960 passou a ser o novo treinador do Clube de Regatas Guará. Depois, passou pelo Nacional, Rabello, Associação Esportiva Cruzeiro do Sul, que seria campeã brasiliense em 1963, atuando ainda em duas oportunidades, como técnico da  seleção de Brasília.
 
Juvenal, com a camisa do Glorioso.

Equipe do Guará em 1960, dirigida pelo ex-craque da seleção brasileira, Juvenal, que inclusive jogou a Copa de 1950.

Augusto, Barbosa e Juvenal, em jogo pela Copa de 1950, no Maracanã.O profissionalismo no futebol do DF só durou até 1968 e segundo algumas fontes de pesquisa, Juvenal foi durante muito tempo o responsável pelo serviço de guarda-volumes da Rodoviária do Plano Piloto. Juvenal faleceu no Rio de Janeiro no dia 30 de agosto de 2012, aos 89 anos.

ESTÁDIO DA METROPOLITANA, PRIMEIRO PALCO

O primeiro estádio foi o da Metropolitana, no Núcleo Bandeirante, depois veio o  Pelezão, inaugurado em 1965, que fervia quando o gramado era tapete para o próprio rei Pelé e muitos outros craques nacionais que por ali passaram. Demolido para a construção de um condomínio residencial, o estádio foi durante anos a grande casa do futebol brasiliense. Depois surgiu o estádio Presidente Médici (atual Mané Garrincha).

Estádio da Metropolitana, Núcleo Bandeirante, em 1963

PELEZÃO EM DOIS TEMPOS

Pelé, no Pelezão: dias de glória do estádio.

Vista aérea do Pelezão, já totalmente degradado e invadido (pouco antes da demolição).

A ERA CEUB

A partir de janeiro de 1971, a cidade conhece uma de suas maiores paixões – que para muitos sobrevive até hoje. A saga do time de futebol do CEUB, com suas façanhas, seus personagens e seus ídolos, foi construída em apenas três anos de existência. Um caso de amor vivido em amarelo e azul, cores pintadas em uma tela gloriosa, que se passou em plena ditadura militar.

 

 

 

9 de junho de 2017