Deputados distritais semeiam renovação no primeiro discurso

Fotos: Carlos Gandra/CLDF

Líderes de blocos e deputados de variados partidos reafirmaram seus compromissos na primeira sessão ordinária da oitava legislatura da Câmara Legislativa do Distrito Federal, nesta terça-feira (5). Além de agradecer aos eleitores, os parlamentares falaram de “renovação”, pregaram a necessidade de diálogo com o governo e se comprometeram com a defesa, especialmente, dos menos favorecidos. Independentemente do número de mandatos, rechaçaram a “velha política”. Também foram lidas dezenas de proposições, de autoria dos distritais, que passam a tramitar a partir de hoje.

O primeiro a falar, no comunicado de líderes, foi o deputado Chico Vigilante (PT), que se referiu, inicialmente, ao discurso do governador, pronunciado anteriormente. “Ele defendeu o diálogo, mas um diálogo de surdos: só ouve o que lhe interessa”, declarou. O parlamentar criticou a portaria que permite a “militarização” de escolas públicas e questionou a ampliação do modelo de gestão do Hospital de Base para outras unidades de saúde. Para ele, o governo “começou mal”.

Pelo Bloco DF Acima de Tudo, discursou o deputado Delmasso (PRB), que elogiou a eleição da Mesa Diretora da CLDF, pelo voto aberto. Em seguida, discorreu sobre o que considera “o grande desafio” do GDF e desta Casa: combater o desemprego no Distrito Federal, que atinge 307 mil pessoas. Na avaliação dele, são dois os motivos do alto índice de desemprego (18,3%): a carga tributária e a falta de qualificação para o preenchimento de vagas específicas. Delmasso voltou a falar durante o comunicado de parlamentares, quando elogiou o modelo de gestão aplicado ao Hospital de Base, agora expandido.

O deputado Eduardo Pedrosa (PTC) representou o Bloco Justiça Social. Ele agradeceu aos eleitores e disse que é necessário ajudar os empresários a garantir empregos para que “os cidadãos possam sustentar suas famílias com a força do trabalho”. Também defendeu mudanças na condução da política: “Cheguei a ver cidadãos dizendo que a Câmara Legislativa não seria necessária. Por isso, temos de mudar”. E conclamou seus pares para “que a renovação da CLDF se traduza em um legado que possa marcar a vida das pessoas”.

Falando em nome da liderança do PHS/Podemos, o deputado Hermeto (PHS) contou um pouco da sua trajetória e declarou que a população “espera muito da gente”. Ele contou que, durante a campanha, de cada 10 eleitores que abordava, “nove pediam para que não me envolvesse com corrupção”. O parlamentar lembrou a sua base eleitoral (Candangolândia/Núcleo Bandeirante) e disse que irá honrar os votos: “O DF e o Brasil não suportam mais o velho jeito de fazer política”.

Se dizendo honrada por ocupar uma cadeira no Legislativo do DF, a deputada Júlia Lucy (Novo), disse acreditar que é possível mudar a vida dos brasilienses. “O dinheiro público desaparece por corrupção e falta de gestão. Temos de investir na fiscalização e na gestão para tornar o Estado mais leve, com menos tributos e melhoria dos serviços públicos”, afirmou. Defendeu que um mandato deve ser avaliado pelos efeitos positivos das leis na vida das pessoas, “não pela quantidade de proposições apresentadas”, e o fim da polarização na política. Também reivindicou mais segurança, principalmente, para as mulheres.

Parlamentares – No comunicado de parlamentares, o primeiro a discursar foi Daniel Donizet (PSL) que comunicou a sua saída do PRP, partido pelo qual foi eleito. Após os agradecimentos, colocou-se ao lado daqueles que não aguentam mais a velha política. “A população escolheu a renovação”, lembrou. Em seu terceiro mandato não consecutivo, a deputada Arlete Sampaio (PT) sustentou a necessidade de o Poder Legislativo se manter independente: “Fomos eleitos para representar o povo do DF, não para dizer amém ao governador”. Ela anunciou que realizará debates públicos para discutir a saúde pública e a violência contra a mulher.

Por sua vez, o deputado Iolando (PSC) pediu o apoio de seus colegas em torno de dois setores que considera essenciais: “Quando se tratar de saúde e educação, devemos nos unir para que as causas dessas áreas não fiquem emperradas”. Ele anunciou que o projeto de reforma e ampliação do hospital de Brazlândia deverá sair do papel. Já o deputado Reginaldo Veras (PDT) destacou o início do ano letivo da rede pública de ensino, que começa com 9 mil estudantes sem matrícula. Na opinião do parlamentar a palavra “puxadinho” sintetiza como o Estado cuida da educação. Também criticou a ideia de acabar com o passe estudantil e a ausência de uma política educacional.

Jaqueline Silva (PTB) discorreu sobre a responsabilidade de ser deputada distrital e solicitou aos colegas “olhar pelo Gama e a região da Saída Sul”. Disse que não fez promessas, mas assumiu compromissos com os menos favorecidos. E chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelo Programa Material Escolar, que beneficia mais de 120 mil alunos. Para Fábio Felix (PSOL) houve uma mudança quantitativa: “o desafio é torná-la qualitativa”. Ele salientou que é “o primeiro LGBT assumido que toma posse na CLDF” e declarou orgulho de sua orientação. Disse que irá defender “os que estão silenciados e não estão nos espaços de poder”. E anunciou que fará uma “oposição combativa” ao governo Ibaneis Rocha.

O deputado Jorge Vianna (Podemos) estendeu uma bandeira do Sistema Único de Saúde (SUS) no púlpito de onde discursou: “Esta é a bandeira que iremos defender”. Ele criticou a queda no orçamento do setor. “Há um aumento de doenças e a estrutura vai piorar com a redução”, resumiu. O distrital pediu ainda atenção com a manutenção predial das unidades de saúde. João Cardoso (Avante), além de agradecer aos eleitores, familiares e servidores públicos, anunciou que seu mandato “foi feito para servir à população do DF”. Declarou que seus votos levarão em conta a tecnicidade e a razoabilidade. E homenageou as vítimas da tragédia em Brumadinho (MG).

O líder do governo, deputado Cláudio Abrantes (PDT), que chega ao seu terceiro mandato, afirmou que ainda se sente “iniciante, sempre aprendendo”. A liderança, que agora ocupa, “será uma experiência totalmente nova”. O parlamentar disse que poderá discordar do GDF, em alguns pontos, quando se fizer necessário, a exemplo do projeto de gestão hospitalar que teve de ser revisto. A principal bandeira do deputado José Gomes (PSB) será contribuir para a geração de emprego e renda. Ele declarou que “a hora é de mudar e agir com transparência”. Também anunciou que apresentou várias proposições, tratando de capacitação profissional, entre outros assuntos.

O deputado Valdelino Barcelos (PP) agradeceu aos eleitores e à família e falou de sua vida profissional como caminhoneiro, que lhe deu a oportunidade de conhecer a realidade brasileira. Enquanto Leandro Grass (Rede) abriu seu discurso exaltando a memória de Eduardo de Souza Lopes, “um cidadão em situação de rua que perdeu a vida numa ação desastrosa do Estado”. Em seguida, o distrital falou sobre esperança, que “precisamos transformar em ação”, e fez críticas ao governo, listando propostas das quais discorda, como o retrocesso no Projeto Orla; a expansão do modelo de gestão do Hospital de Base, e a sinalização para acabar com o passe livre estudantil.

 
Com informações da Comunicação Social da Câmara Legislativa

6 de fevereiro de 2019