Doutor, eu acho que eu tenho tireóide

Por Dr. Gustavo Francklin

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Muito comum no consultório escutar diariamente esta frase. Muitas vezes a pobre da glândula tireoide é culpada por todos os sintomas que o paciente possui, principalmente quando se trata de ganho de peso. Pois bem, vamos esclarecer algumas coisas. Inicialmente, tireoide é uma glândula endócrina, situada na região cervical anterior (parte da frente do pescoço), responsável principalmente, pela produção dos hormônios T4 e T3. Todo mundo possui essa glândula (exceto em raros casos de agenesia da mesma). O nome tireoide vem do grego thireoides, que significa em “forma de escudo” e da palavra thyreos, que significa “escudo alongado”. É formada por dois lóbulos ligados por uma região central, denominado istmo e pesa entre 15 e 25 gramas comumente.

Os hormônios produzidos por esta glândula agem em praticamente todo o corpo, por isso suas disfunções são conhecidas por alterar o metabolismo. Ela age na função de órgãos importantes como o coração, cérebro, fígado e rins. Interfere, também, no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes; na regulação dos ciclos menstruais; na fertilidade; no peso; na memória; na concentração; no humor; e no controle emocional. É fundamental estar em perfeito estado de funcionamento para garantir o equilíbrio e a harmonia do organismo.

Com relação às alterações da tireoide, temos que dividi-la entre: alterações da função (produção hormonal) e alterações estruturais. Sobre estas, as principais alterações costumam ser a agenesia da glândula (não formação durante a gestação) e principalmente, o aparecimento dos nódulos tireoideanos. Esses nódulos, dependendo das características e tamanho, devem ser investigados, vistos que podem se tratar de câncer. Entretanto, a maioria deles é benigna. O exame de punção pode definir a diferença entre estas duas condições.

Em relação à função tireoideana, pode ocorrer o hipotireoidismo (condição na qual a glândula produz menor quantidade de hormônios) ou o hipertireoidismo (condição na qual a glândula produz maior quantidade de hormônios do que deveria). As causas de ambas são variadas e devem ser investigadas, sendo as mais comuns a autoimune, como a tireoidite de hashimoto e a doença de graves. e quais os sintomas podemos observar?

Hipotireoidismo

Se a produção de “combustível” é insuficiente provoca hipotireoidismo. Tudo começa a funcionar mais lentamente no corpo: o coração bate mais devagar, o intestino prende e o crescimento pode ficar comprometido. Ocorrem, também, diminuição da capacidade de memória; cansaço excessivo; dores musculares e articulares; sonolência; pele seca; ganho de peso; aumento nos níveis de colesterol no sangue; e até depressão. Na verdade, o organismo nesta situação tenta “parar o indivíduo”, já que não há “combustível” para ser gasto.

Hipertireoidismo

Se há produção de “combustível” em excesso acontece o contrário, o hipertireoidismo. Nesse caso, tudo no nosso corpo começa a funcionar rápido demais: o coração dispara; o intestino solta; a pessoa fica agitada; fala demais; gesticula muito; dorme pouco, pois se sente com muita energia, mas também muito cansada. Geralmente ocorre perda de peso, não associado a dietas. Pode ocorrer também a exoftalmia, condição na qual ocorre a protusão do globo ocular.

Apesar de muito pequena, podemos perceber o tamanho da importância desta glândula para o nosso corpo. Por isso, é recomendável que pelo menos, uma vez ao ano, o paciente procure o endocrinologista, afim de fazer um check-up da sua tireoide.

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19 de dezembro de 2017