Entenda o colesterol, assunto recorrente em pesquisas sobre saúde

Por Luciana Battella

O assunto colesterol nunca deixará de ser notícia. Estudos recentes têm demonstrado outras referências para essa substância tão condenada anteriormente.

Como o colesterol é uma gordura, não se dissolve no plasma sanguíneo, e precisa de proteínas para carregá-lo, formando, assim, as lipoproteínas. Existem as lipoproteínas de baixa densidade conhecidas como colesterol ruim e chamadas de LDL, e as lipoproteínas de alta densidade, conhecidas como colesterol bom e chamadas de HDL. O LDL é reconhecido como ruim, pois transporta o colesterol do fígado para as células e o HDL é visto como bom colesterol por fazer o transporte inverso, levando o colesterol dos tecidos para o fígado, que é responsável por decompô-lo.

O maior risco de acúmulo de gordura nas paredes dos vasos ou placas de ateroma, que aumenta o risco de infarto ou acidente vascular cerebral, acontece ao associar o excesso de colesterol circulante e com a presença crônica de substâncias inflamatórias também circulantes. Apesar do consenso que a relação LDL/HDL elevada aumenta o risco de doenças cardiovasculares, existem estudos mostrando que não é sempre assim.

O LDL colesterol em excesso é como “lixo” circulante, já o HDL funciona como o “caminhão de lixo”, fazendo a limpeza. Contudo, a presença de radicais livres e substâncias inflamatórias favorece o processo de oxidação. Como gorduras são suscetíveis à oxidação, tanto o LDL quanto o HDL podem ser oxidados tornando-os muito mais aterogênicos. Sendo assim, o HDL oxidado pode ser tão prejudicial quanto o LDL oxidado. Níveis altos de HDL associados a níveis altos de LDL sugere que o “caminhão de lixo” não está funcionando adequadamente, ou seja, neste caso, apesar da baixa relação entre LDL e HDL, a provável presença de HDL oxidado aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Estudos publicados no European Heart Journal demonstraram formação de HDL pequenas e densas, oxidadas, também na presença de altos níveis de triglicerídeos. Portanto, não somente níveis baixos de HDL representam risco de morte prematura, mas, níveis elevados desse tipo de colesterol também significam um risco semelhante.

O colesterol é essencial para a vida e é encontrado em todo o corpo. 60% da massa cerebral é formada por lipídios, inclusive colesterol. Será que o colesterol realmente é um vilão?

Bradford Hill, renomado epidemiologista e estatístico inglês, demonstrou uma relação entre colesterol baixo e violência, ou seja, baixos níveis de colesterol podem tornar as pessoas mais violentas. Além disso, aumenta o risco de depressão.

Outro estudo mostra que há melhor performance cognitiva em idosos com colesterol mais alto.

Olhar isoladamente os níveis de colesterol não é suficiente para avaliar risco cardiovascular. Procure seu médico para uma análise individualizada. Mas, o controle do estresse e uma alimentação balanceada, rica em fibras precursoras de butirado (ácido graxo de cadeia curta com importante propriedade anti-inflamatória e moduladora de colesterol), como banana verde, batata doce, batata yakon, raiz de chicória, alho, cebola, aspargo, alcachofra, aveia, dente de leão e bardana, ajudará a manter seu perfil lipídico adequado.

Além disso, uma alimentação rica em nutrientes antioxidantes, anti-inflamatórios e com boas fontes de substâncias bioativas como o betasitosterol, substância moduladora de colesterol e cortisol (hormônio do estresse) presente no abacate e na semente de abóbora, contribuirá muito para sua saúde cardiovascular.

21 de setembro de 2017