Furacão Dória sacode Brasília

A passagem do prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) por Brasília fez com que parte da classe política esquecesse um pouco as turbulências causadas pela Lava-Jato e seus desdobramentos. Doria veio em jatinho próprio e teve uma agenda digna de candidato a presidente, coisa que ele cada vez mais nega menos.

O prefeito e potencial candidato tucano à Presidência da República teve encontro com empresários brasilienses, visitou redações de jornais, deu inúmeras entrevistas e ainda teve que ceder, de última hora, a uma pressão para visitar o governador Rodrigo Rollemberg.

O encontro com o governador não estava na agenda oficial, mas a assessoria de Rollemberg detectou que ele também não poderia deixar de tirar uma casquinha – ou uma fotinha – ao lado daquele que se desenha  – para os apoiadores – como o Obama brasileiro. Já para os críticos Doria é comparado ao “novo Collor” do Brasil.

Tietagem e muito jogo de cintura

Mas Doria mostrou ontem que não se deslumbra com os afagos nem se incomoda com as cutucadas. Pelo contrário, admitiu nas entrelinhas que poderá ser candidato à Presidência no ano que vem e não poupou críticas a Lula (principalmente) e também a Dilma e ao PT.

Não se esquivou também de comentar pequenas críticas que recebeu do ex-presidente FHC, mas saiu-se com sutilezas e bom humor.

Noite concorrida

À noite, Doria dedicou-se  ao evento mais longo de sua extensa agenda em terras brasilienses. Participou de um jantar com tucanos na casa do deputado Izalci Lucas, candidato declarado do partido ao Palácio do Buriti. Doria chegou por volta das 19h30 e quando foi embora já passava de meia noite. Boa parte da bancada de deputados e senadores tucanos também prestigiou Doria e Izalci.

E Doria soube retribuir ao anfitrião. Fez  rasgados elogios ao deputado brasiliense, incentivando-o a levar à frente sua candidatura. “Acredite nos seus sonhos, Izalci, como eu acreditei nos meus”, destacou Doria, lembrando que quando lançou sua candidatura a prefeito de São Paulo tinha pouco mais de dois por cento de intenções de votos e que por conta disso teve que enfrentar a desconfiança  de boa parte do tucanato.

E quando a maré está favorável, até as coincidências ajudam. Ontem à noite, na mesma rua onde mora Izalci, estava havendo uma reunião de jovens empresários na casa de um proprietário de revenda de automóveis. Os jovens fizeram questão de levar Doria para um breve bate-papo. Doria foi, falou, saiu aplaudido e manteve-se mais acelerado que o próprio slogan que o tem embalado desde a campanha do ano passado. Haja combustível.

 

29 de junho de 2017