Futebol Americano Feminino de Brasília conquista terceiro lugar no Brasileiro

O Brasília Pilots, único time de futebol americano feminino de Brasília, superando todas as expectativas, conquistou um inédito pódio no cenário da modalidade no País que, embora ainda incipiente, vem demonstrando um grande crescimento

Por Rogério Sampaio

Por Rogério Sampaio – O passo inicial para a formação do primeiro e único time de futebol feminino do DF foi dado a partir da prática do Flag Football, que é uma espécie de inicialização do futebol americano. Nos EUA é mais difundido entre as mulheres e as crianças e adolescentes. Os fundamentos são bem parecidos, porém se joga com menos jogadores em campo e o jogador tem uma flag (bandeira) amarrada à cintura que deve ser retirada pelo adversário pra parar a jogada. A prática remete a brincadeira no Brasil conhecida como pique bandeira, guardadas as devidas proporções. Já o Flag Football exige muita agilidade e velocidade. Diferente do futebol americano que exige também um pouco de força dependendo da posição do jogador.

Para conhecer um pouco mais da epopeia cumprida pelo Brasília Pilots, a reportagem do Extrapauta foi conversar com Raquel Araújo, 31 anos, desenvolvedora de software, árbitra de Futebol Americano e jogadora do Pilots e que começou sua trajetória no esporte a partir da prática do Flag Football. Confira o bate papo:

Exrapauta – Como é a sua atuação dentro da estrutura do Pilots?
Raquel Araújo – Na temporada passada eu era capitã da defesa e jogava de strong safety, que é a jogadora responsável por impedir que os passes do ataque adversário sejam completados no fundo do campo. A gente cuida daqueles passes mais longos. Essa temporada eu jogo de wide receiver que é no ataque. Eu recebo a bola que é lançada pela quarterback.

Extrapauta – Por falar no time, conta um pouco como foi o processo de juntar outras meninas que compartilhassem do mesmo interesse pelo futebol americano e formar uma equipe?
RA – O Brasília Pilots é, na verdade, uma grande junção de algumas meninas que já jogavam Flag Football em outros times de Brasília e de amigas de jogadores dos times masculinos de futebol americano. Hoje ele está bem maior e muitas atletas já vieram pro time após ver ou conhecer o Pilots na mídia, mesmo sem nenhum contato com o esporte anteriormente. Atualmente somos o único time de futebol americano feminino de Brasília.

Extrapauta – Como foi o processo de aprendizagem do jogo?
RA – Eu entrei no Flag Football sem saber nem o que era um touchdown, mas a gente começa a assistir os jogos da NFL (liga americana), a estudar, acompanhar até mesmo os jogos do campeonato masculino brasileiro e vai aprendendo. Hoje temos uma comissão técnica muito bem estruturada, eu diria que a melhor do Brasil e eles nos ajudam bastante. Eu fiz cursos e hoje sou árbitra de futebol americano, então tento ajudar as meninas com as regras, no máximo que posso.

Extrapauta – O futebol americano é tido como um esporte notadamente violente. O jogo feminino também é duro?
RA – Sim, muito duro, infelizmente tivemos algumas baixas durante a temporada por conta de lesões, mas foram fatalidades, não da “porrada” em si, mas uma jogadora nossa, por exemplo, quebrou a perna porque uma menina caiu de bunda em cima dela. Fatalidades que acontecem em qualquer esporte.

Extrapauta – Ocorrem muitas contusões?
RA – Ocorrem principalmente nas jogadoras que não fazem um trabalho de fortalecimento muscular, lesão em quem se cuida, malha, fortalece é mais raro. E temos uma equipe de fisioterapia de um parceiro, aProphysys que nos acompanha em todos os jogos e alguns treinos.

Extrapauta – O futebol americano também requer um considerável investimento em equipamentos. Vocês investem do próprio bolso? Tem algum tipo de patrocínio ou apoio?
RA – Investimos do próprio bolso, todo o equipamento sai bem caro, por volta de R$ 1.500,00. A maioria das meninas compra usado dos meninos, alguns ficam bem grandes, não é o ideal, mas é o que o bolso permite. A Prophysys nos patrocinou com o uniforme, uma camisa de futebol americano é bem cara, o tecido tem que ser resistente e eles pagaram todas as nossas camisas de jogo.

Extrapauta – Os maridos, namorados e filhos apóiam a prática do esporte? Acompanham treinos e jogos?
RA – Os maridos, esposas, namorados, namoradas, filhos, filhas, cachorro, gato, mães, todo mundo acompanha.

Extrapauta – Como foi a campanha até chegar à terceira colocação no campeonato brasileiro?
RA – Perdemos na semifinal para o time do Big Riders, ex-Vasco Patriotas e que participa do campeonato há várias edições, um time com muito mais experiência. Mas chegar a semifinal no nosso primeiro ano, acabando em primeiro do nosso grupo e invictas na fase classificatória, já foi um grande feito.

Extrapauta – Quantas equipes participaram do torneio?
RA – Foram seis equipes divididas em dois grupos: A (centro-sul com Sinop Coyotes, Curitiba SilverHawks e o Brasília Pilots) e o B (Fluminense Cariocas, Big Riders e São Paulo Spartans).

Extrapauta – Depois dessa conquista, qual a expectativa de vocês na divulgação e desenvolvimento da modalidade aqui em Brasília?
RA – A gente espera um crescimento do esporte, nosso time já cresceu bastante, temos parceria com clinica de fisioterapia, bolsa integral na academia Dstak, acesso integral ao Sest/Senat em Samambaia, (nosso local de treino aos fins de semana), enfim, temos várias vantagens para as novas jogadoras e isso nos ajuda bastante. Porque temos um retorno pra oferecer.

Extrapauta – Quais os requisitos e habilidades para que se possam formar novas jogadoras de futebol americano?
RA – Nenhum (risos). Basta ter força de vontade, temos jogadoras de 45 a 139kg, de 16 a 40 anos. O que importa é a dedicação, o futebol americano acaba sendo um esporte democrático, porém você precisa se dedicar.

Extrapauta – O que você pode falar para aquelas meninas que tiverem curiosidade em conhecer o jogo e eventualmente vierem a manifestar vontade de praticá-lo?
RA – Nos procurem no Facebook. A página é Brasília Pilots. Teremos o maior prazer em receber todas e explicar tudo sobre o esporte. Teremos seletiva para novas atletas no sábado, dia 25/11 e todas serão muito bem vindas. O esporte é maravilhoso, super diferente e envolve não só força, mas técnica e inteligência.

20 de novembro de 2017


1 Comentário

  1. Nosso material humano é inigualável, porém não valorizamos isso.
    Parabéns à essas guerreiras!!!
    Precisamos que os governos apoiem todo tipo de esporte, pois esporte e cultura tiram nossas crianças e adolescentes do caminho da marginalidade.

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