Gastronomia se aprende na escola, e cedo

Mais do que técnicas e receitas, disciplina ensina como trabalhar em equipe e cultivar a paciência

A gastronomia é uma arte e vem se tornando assunto não somente de adultos. Cada vez mais as crianças e adolescentes têm se encantado pelas combinações de texturas e sabores. E mais do que comer, elas também querem criar suas próprias receitas.

No exterior, é comum o ensino da gastronomia nas escolas e por aqui a tendência começa a aparecer. Desde a sua abertura, há sete anos, o colégio Seriös investe no ensino de técnicas culinárias. A disciplina é uma das 10 atividades oferecidas a crianças e adolescentes.

“Para algumas pessoas, cozinhar é um dever realizado todos os dias. Para outras, é um conforto, um ato de amor. E para os nossos alunos, a interação com a comida pode significar aprendizado e vivências. Na cozinha, é preciso aprender a dividir os utensílios e as tarefas com os colegas, seguir orientações, improvisar e cultivar a paciência”, afirma a professora responsável pela gastronomia, Marcela Ferro.

Para ela, quem lida desde cedo com alimentos e utensílios de cozinha assimila noções de autonomia, organização e higiene, além de desenvolver um elo afetivo e social envolvido no ato de cozinhar.

Nas aulas, os alunos aprendem sobre história da gastronomia, origem deos pratos mais famosos, técnicas e outros temas. Os menores não têm contato com objetos cortantes nem com o fogão. Já os maiores colocam a mão na massa com a supervisão da professora.

Além das aulas, os alunos de gastronomia executam o menu de dois jantares que marcam o encerramentos dos semestres. As noites têm ainda diversas apresentação de disciplinas como moda, fotografia, música, teatro, circo e artes marciais.

Outro desafio é o concurso gastronômico, no qual os jovens formam grupos e competem para ver quem faz o melhor menu com entrada, prato principal e sobremesa. A última competição ocorreu há duas semanas e o julgamento foi realizado por professores da escola, jornalistas e os chefs de cozinha Thiago Paraiso (Saveur Bistrô e Ouriço) e Diego Badra (Conca Cozinha Original). Foram avaliados quesitos como organização da bancada, higiene, além, é claro, da textura, sabor e apresentação dos pratos.

“O ponto mais forte do almoço de hoje,  foi a própria possibilidade de os alunos cozinharem. Quando era mais novo, estudei na Nova Zelândia e fiz essa matéria na escola. É muito legal termos isso aqui no Brasil. Eu tenho uma filha de três anos que cozinha. Ela faz o ovo dela, obviamente com minha supervisão. Comida é alimento e um elo social e cultural. Cozinha e criança têm tudo a ver”, afirma Diego Badra.

As aulas de gastronomia são uma oportunidade para alunos como Carlos Eduardo de Sena, de 13 anos, e Hana Okida, de 14 anos,  explorarem a paixão por cozinhar e, quem sabe, exercerem a profissão no futuro.

Aos fins de semana, Carlos Eduardo prepara para a família mimos como panquecas, bolos e hambúrguer. “Eu cozinho em casa e adoro. É como se estivesse brincando”, conta o garoto.

Já Hana compara a cozinha à arte. “Desde pequena, eu sempre tive um amor especial por fazer qualquer tipo de arte. Tenho um carinho pela gastronomia. Quando soube que teria no colégio, fiquei ansiosa em participar das aulas”, conta a líder do grupo vencedor.

Ao fim da competição, as equipes vencedoras foram premiadas com um kit de utensílios de gastronomia para cada membro.

 

27 de dezembro de 2019


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