Greve dos rodoviários: abuso e desrespeito

Por Adelmir Santana

Brasília começou a semana com trânsito engarrafado, paradas de ônibus e estações de metrô lotadas e muita confusão nas ruas da cidade. Esse foi o reflexo imediato de uma greve surpresa promovida pelos rodoviários brasilienses, que não respeitaram determinações legais e paralisaram toda a frota de ônibus. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio) repudia o ato promovido pelo Sindicato dos Rodoviários. Entendemos que a greve é um direito legítimo dos trabalhadores, mas somos contra qualquer tipo de manifestação radical e movimentos que prejudiquem o direito de ir e vir dos cidadãos.

Movimento ilegal

Ao fazer uma paralisação surpresa, impedindo a circulação de toda frota, sem realizar uma assembleia geral e sem informar as empresas e entidades patronais, o movimento dos rodoviários toma uma atitude radical e ilegal. O direito de greve é uma garantia prevista na Constituição, mas não pode nunca implicar na paralisação total de um serviço considerado essencial para população. Prova disso está na decisão da Justiça, que determinou no mesmo dia que os rodoviários voltassem ao trabalho, garantindo a circulação de 100% dos ônibus nos horários de pico.

Punição rigorosa

O Poder Judiciário e o Estado precisam se manifestar de forma rigorosa para coibir greves abusivas. Áudios divulgados pela mídia revelam uma postura extremamente radical por parte dos líderes do movimento dos rodoviários. Um deles diz que a categoria tem que “causar confusão” e “radicalizar um pouquinho”. As autoridades precisam condenar publicamente esse tipo de postura e encontrar medidas que evitem abusos. Já está comprovado que, em diversas greves radicais, as multas impetradas pela Justiça não serviram para evitar que a população fosse prejudicada.

Os que mais sofrem

A Fecomércio entende que atos como esses prejudicam, sobretudo, a população mais carente da cidade – que depende do sistema de transporte coletivo para se locomover –, e tem um impacto negativo grande na economia local. Esse tipo de paralisação prejudica o comércio justamente quando os empresários buscam recuperar a queda nas vendas, fazendo um esforço gigantesco para criar vagas de trabalho e gerar mais renda para a cidade. Além disso, a paralisação impede que as pessoas consigam ir trabalhar e que os consumidores façam as suas compras. É uma falta de respeito enorme com a população.

Defesa da cidade

A Fecomércio continuará se manifestando em defesa dos empresários e dos trabalhadores do comércio do DF para evitar que esse tipo de paralisação venha a ocorrer.

29 de agosto de 2017