Ibaneis visita obras da Casa da Mulher Brasileira e promete mais quatro unidades no DF

Interditada há quase nove meses, Casa da Mulher Brasileira passa por obras e deve atender a 40% da capacidade no fim de janeiro. Foto: Olavo David Neto/Extrapauta.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) visitou nesta quinta-feira (10) a Casa da Mulher Brasileira. A Defesa Civil interditou o espaço em abril de 2018 motivada pelas rachaduras na estrutura do prédio. Acompanhado pela titular do Ministério da Mulher, Família e Direito Humanos, Damares Alves, o mandatário do Buriti vistoriou as obras e avaliou a possibilidade de reabertura parcial do imóvel.

Com a sede, na 601 norte, fechada há oito meses, a Casa da Mulher Brasileira atende, ou deveria atender, vítimas de violência doméstica e sexual, assédio moral, assédio sexual, negligência, tráfico humano, violência institucional e violência na internet. Após a interdição, o acolhimento de cidadãs em situação de vulnerabilidade agora se dá de forma itinerante, muitas vezes em instituições de saúde ou anexos de prédios públicos.

As obras foram criticadas pelo governador. Na saída do prédio, considerou a reforma “muito mal feita”, e sentenciou: “quem fez deveria ser responsabilizado. Essa obra trouxe prejuízos ao DF”. Também disse que apenas 40% da estrutura poderá ser reaberta até o fim de janeiro, além de prometer a construção de mais quatro unidades – a primeira em Ceilândia -, e de postos de atendimento nas estações do metrô.

Ibaneis foi acompanhado também pela secretária da Mulher do DF, Ericka Filipelli. A titular da pasta, aliás, foi a única visitante a marcar presença na audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, em dezembro. Convocado pela deputada Erika Kokay (PT/DF), o encontro reuniu políticos, servidoras da CMB, sindicalistas e sociedade civil, além de integrantes do Movimento em Defesa da Casa da Mulher Brasileira.

O movimento, lançado ainda em 2018, foi idealizado pelo Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultura do GDF (SINDSASC). Pouco depois, o Sindicato dos Professores (SINPRO) aderiu à luta, seguido pela Central dos Movimentos Populares (CMP). A visita de Ibaneis pegou aos responsáveis pelo grupo de surpresa. Nenhum dos representantes foi chamado, e não houve troca de informações com o governo.

Clayton Avelar, presidente do SINDSASC, lamenta que o grupo não tenha sido consultado pelo poder público. E acrescenta que o Movimento protocolou ofício na Secretaria da Mulher há uma semana, no qual solicitava audiência com Ericka Filipelli para tratar, dentre outros temas, da Casa da Mulher Brasileira. Até agora a força-tarefa não obteve resposta do órgão.

Recursos humanos

Os projetos do GDF para a Casa esbarram nas promessas de campanha do atual governador. Há cerca de seis meses Ibaneis prometia a redução da máquina pública distrital. Hoje, para ampliar os serviços nos moldes do que indica o Buriti, é necessário o aumento no quadro de servidores, além de investimentos em obras e novos equipamentos.

A ampliação prometida preocupa Clayton. Para ele, é necessário que todas as unidades trabalhem na integralidade do projeto. “O que é funcionar 100%? Fornecer assistência social, acesso ao Ministério Público e à Defensoria. Se for assim, melhor”, destaca. Outra opção seria “ampliar o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), e fortalecer os Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)”.

De uma forma ou de outra, são necessários novos servidores. Com banca definida, a Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH),  ofertará concurso público para preenchimento de 314 vagas diretas, além de 1.500 de Cadastro de Reserva. A contratação dos novos funcionários está prevista para o início de 2020.

Por Olavo David Neto, sob supervisão.

10 de janeiro de 2019


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