Jaime Recena: de olho no Lago e nos votos

Jaime Recena

Por Rogério Sampaio

Por Rogério Sampaio – Nos mandatos de deputado distrital, federal e de Senador, Rodrigo Rollemberg sempre empunhou a bandeira da defesa do Lago Paranoá como importante fonte de lazer e turismo para o DF. Nos dois primeiros anos de seu Governo, Rollemberg dedicou alguma energia para o tema.  Primeiro – a partir de ordem judicial – promoveu a desocupação de  partes da orla do lago que eram ocupadas pelos moradores do setor. Mais recentemente, inaugurou o Deck Sul, mesmo sob críticas de ambientalistas.

Para tocar este assunto que lhe é muito caro política e pessoalmente, Rollemberg incumbiu um de seus mais fiéis escudeiros, o jovem empresário e atual presidente regional do PSB, Jaime Recena. E, para explicar melhor o que o governo Rollemberg já fez e o que ainda pretende fazer pelo Lago, Jaime Recena, potencial candidato do PSB a deputado distrital, é o entrevistado da semana do Extrapauta:

Extrapauta – Secretário, um dos primeiros atos do governo Rollemberg, foi liberar a orla do Lago para todos.  Uma das críticas mais recorrentes, principalmente dos moradores do Lago,  é que o pós demolição não vem sendo acompanhado por ações efetivas de recuperação do espaço retomado pelo poder público, criando, inclusive um cenário de insegurança para os moradores que tiveram cercas e muros demolidos.

Jaime Recena – O governo recentemente lançou o projeto Orla Livre, que prevê exatamente a ocupação de toda a margem desse lago do Paranoá, para que esse lago possa ser explorado de uma forma cada vez mais sustentável, com a população da cidade se voltando para o lago e que também os turistas que chegam à cidade possam perceber que nós temos esse grande atrativo, esse equipamento público com enorme potencial à disposição de todos. O Projeto Orla envolve algumas etapas como a de consulta a população, através de audiências públicas, de forma a deixar muito claro de que o governo não vai impor sua vontade. O GDF vai ouvir a população para que os cidadãos possam apresentar suas ideias e sugestões para a utilização daquela faixa de margem que foi desobstruída em função de uma decisão judicial. Nossa perspectiva é que, doravante, essa ocupação ocorra de maneira sustentável, harmoniosa, principalmente com aquelas pessoas que vivem mais próximas às margens do lago e para quem venha a frequentar, seja morador ou turista.

Extrapauta – Dentro desse planejamento, das consultas e outras providências, que resultados efetivos o GDF já pode apresentar à população?

Jaime Recena – O governo tem investido na inauguração de alguns polos de atividades às margens do lago. Recentemente foi inaugurado o polo do Deck Sul, que tem apresentado uma frequência de público dentro do projetado. Existe, ainda, a perspectiva dentro do ano que vem da revitalização da área do piscinão do Lago Norte, que vai atender prioritariamente as comunidades do Paranoá, Itapoã e Varjão. Existe também um projeto destinado ao Parque das Garças, situado no fim da Península Norte, ao lado do clube do Congresso. É importante que entendamos que o lago possui uma área muito extensa o que dificulta a capacidade de execução do nosso planejamento em relação ao cumprimento da decisão judicial, mas o governo tem feito todos os esforços para que o cumprimento da decisão judicial e a implantação plena do Projeto Orla Livre se dêem de forma célere, trazendo os benefícios que acreditamos que ela possa trazer.

Extrapauta –  Recentemente, o Deck Sul foi objeto de diversas críticas em relação à sua localização, perto da Estação de Tratamento de Esgoto Sul, localizada logo após a ponte das Garças. Reclamações em relação a falta de balneabilidade da região onde foi instalado, a presença de coliformes fecais na água dentre outras queixas puseram o empreendimento em questão. Esses aspectos não foram levados em conta quando da definição do local do Deck Sul?

Jaime Recena – O projeto foi revisto e executado. O fato de ter uma Estação de Tratamento na região, não interfere com o parque que existe no entorno do Deck. Temos que entender necessariamente qualquer intervenção que se faça às margens do lago não tem que estar ligado diretamente com atividades náuticas ou aquáticas. Você tem um parque vivencial ali, que também cumpre a função de ocupação da orla, transcendendo o espelho d’água. Se formos olhar para exemplos de áreas revitalizadas veremos que este conceito é frequentemente aplicado. Recentemente, aqui no Brasil mesmo, dentro do chamado legado Olímpico, a zona portuária do Rio de Janeiro foi completamente revitalizada com a construção de Museu, praças, etc, mas as pessoas não mergulham naquelas águas notoriamente poluídas. No entanto, o projeto aproximou o carioca da zona portuária, até então um lugar degradado, perigoso e notoriamente mal frequentado. Hoje, no panorama turístico da cidade se tornou uma nova referência, um novo cartão postal. Esse conceito foi o que aplicamos no caso do Deck Sul.

Extrapauta –  Mas, no âmbito do Projeto Orla as atividades náuticas e aquáticas serão necessariamente contempladas?

Jaime Recena – Em todo o Projeto Orla, teremos atividades voltadas para diversos tipos de modalidade náuticas e aquáticas, observadas as características específicas, como por exemplo, em local destinado à uma marina pública, com grande movimento de embarcações a motor, não será recomendada para o uso de banhistas, praticantes de SUP ou canoagem, até mesmo por uma questão de segurança. Nossa intenção é respeitar as características e peculiaridades de cada espaço a ser ocupado.

Extrapauta –  Com base em que critérios será definida a utilização dessas áreas ao longo da margem e do entorno do lago?

Jaime Recena – Esse processo de ocupação prevê um concurso público para que possa ser apresentado a população do Distrito Federal. A coordenação do Projeto Orla Livre está a cargo da Casa Civil, que define o desenvolvimento do cronograma do mesmo.

Extrapauta –  O que o GDF planeja para atrair novos empreendimentos econômicos,lazer e cultura com o intuito de trazer a atividade turística para mais perto do lago? Não haveria a possibilidade de se disseminar empreendimentos do gênero Pontão do Lago Sul, em menor escala, em outros pontos do lago?

Jaime Recena – Temos que observar alguns cuidados, coma a questão ambiental que precisa ser levada em consideração sempre. Há também a questão da vizinhança daqueles que vivem nas cercanias desses pontos. Não podemos pensar em um projeto que contemple única e exclusivamente a questão do lazer, da vida noturna, sem levar em conta esse componente. Então, isso nos leva a pensar em áreas adequadas onde possamos desenvolver novos pontos dedicados à gastronomia, à diversão e que ao mesmo tempo não interfiram com o direito ao sossego dos moradores. Caso isso aconteça, a gente acaba criando um projeto para agradar e estimular o turismo e o empreendedorismo, mas ao custo de importunar uma parcela da população e essa, com certeza, não é a nossa intenção. É importante que pensemos na ocupação da iniciativa privada com práticas de boa convivência, respeitando os direitos de todos os envolvidos no processo.

Extrapauta –  Aí surge novamente a questão: de que maneira essa atividade econômica será normatizada?

Jaime Recena – Todas as possibilidades serão discutidas através de audiências públicas com a população. O governo, em nenhum momento, agirá de forma impositiva, sem diálogo, ou concordância entre todos os envolvidos. Importante que as pessoas entendam que o Projeto Orla Livre foi pensado para o conjunto da população respeitando a questão urbanística e ambiental, se integrando de forma harmoniosa com a cidade e seus habitantes. Queremos atrair os moradores, os turistas e os empresários para o lago e não criar um novo foco de problemas.

Extrapauta –  Esse amplo processo de consultas e audiências públicas não oferece o risco de o GDF não conseguir implantar o Orla Livre até o final desse governo? E, caso o governador não concorra à reeleição e se concorrer não se eleger, corrermos o risco de o projeto ser abandonado, como aconteceu com a primeira versão, em 1996, após o governo Cristovão Buarque, cujo embrião do Orla Livre ficou ao abandono? Sabemos que a política brasileira não prima pelo continuísmo de obras realizadas por antecessores.

Jaime Recena – Obviamente que, praticamente, inexiste a capacidade de se implantar o que é pensado em um único período de governo. Entendemos que é prioritário, neste momento, apresentar a população este debate, de forma ampla, técnica e democrática. O processo vem sendo seguido de acordo com o caminho pré-determinado com a realização de audiências públicas sobre a decisão judicial, que determinava a desobstrução da orla do lago, e também sobre o Projeto Orla Livre e as soluções que ele pode oferecer. Claro que a continuidade desse projeto independerá da vontade de os governos viabilizarem, mas sobretudo estará calcada na vontade soberana da população, que deve abraça-lo e compreender que é um projeto bom para a sociedade e para a cidade.

Extrapauta –  Existe um movimento voltado para a preservação do lago e de seus afluentes que propõe o tombamento da bacia do Paranoá. Nesse momento em que o DF passa por uma grave crise hídrica e o próprio lago já vêm tendo suas águas captadas para consumo humano, seria o caso de o governo estudar mais este assunto?

Jaime Recena– Essa é uma outra proposta que precisa ser discutida em parâmetros mais técnicos. Não é uma discussão que não está na pauta do governo, mas é uma discussão que pode ser realizada. Acho que tudo que a população entende que é positivo para ela, a função do governo é no mínimo ouvir e se dispor a discutir sobre o tema. Se a sociedade entender que esse é um debate é importante, ele deve ser realizado sempre ouvindo os prós e os contras.

25 de julho de 2017