Laboratório do amor

Por Bia Borja

Sim, vamos falar sobre amor! Tá aí um tema que a economia comportamental explora muito pouco. Mas, ao falarmos sobre assuntos que envolvam dinheiro, emoções e escolhas, por que não incluir as soluções para casamentos perfeitos? (se é que eles existem)

Para quem é casado ou está na fila para entrar na “bolha” dos relacionamentos sérios, vai a dica: conheçam os psicólogos John Gottman e Robert Levenson, da Universidade de Washington.

Desde o ano passado, John e Robert estão revelando ao mundo as principais características dos casamentos felizes – e de forma bem científica. Tão precisa que até chamaram um matemático para comprovar suas teses. A precisão é tão importante, que John já declara em entrevistas que tem como prever com 90% de certeza se um determinado casamento irá durar ou não.

Tudo começou em 1986, quando os dois psicólogos montaram um laboratório de pesquisa comportamental para estudar casais. Mais de três mil parceiros entraram no estudo. O objetivo dos pesquisadores – identificar características específicas daqueles que permanecem casados e felizes, por um longo tempo, e dos que se divorciam nos primeiros seis anos de relacionamento.

Eles iniciaram o projeto analisando absolutamente tudo que rolava durante as brigas dos casais.  O fluxo sanguíneo, a frequência cardíaca, a quantidade de suor e as palavras usadas, enquanto descreviam situações recentes que viveram com seus parceiros, ficaram registradas e a cada emoção demostrada era atribuído um número. Seis anos depois, eles reencontraram os casais para ver quais tinham permanecido juntos e dividiram os cônjuges em dois grupos: os “másters” (mestres), que ainda estavam juntos e felizes, e os “disasters” (desastres), que já haviam se separado ou continuavam juntos, mas infelizes.

A grande descoberta, além da fórmula matemática que eles criaram, foi a importância da generosidade. Sim, ela é a principal característica dos casamentos felizes. Eles observaram atos simples, como respostas a perguntas rotineiras, se os parceiros eram agressivos ou generosos, a frequência de respostas ríspidas, o desinteresse e a indiferença.

A pesquisa apontou que as respostas generosas aproximam o casal. O grupo “masters” tem uma mentalidade bem específica, na qual eles estão sempre observando o ambiente e buscam, constantemente, agregar valor à relação. Já os “disasters”, observam o ambiente procurando pelos erros do parceiro. Se para os “mestres” a generosidade é o combustível, para os “desastres” o desprezo é o catalisador que arrebenta as relações.

Por mais óbvias que pareçam as descobertas, os resultados ainda causam curiosidade e espanto para muitas pessoas. Vale lembrar que, no Brasil, o divórcio cresceu mais de 160% em uma década e, ao mesmo tempo, aumenta a cada dia (não na mesma proporção) o número de pessoas que estão se casando.

Sob o aspecto econômico, a indústria do casório agradece aos que se casam e, também, aos que se divorciam. Os números impressionam, o mercado do sim movimenta mais de R$15 bilhões por ano. Quanta vontade de subir ao altar. E depois que se divorciam, as chances de um segundo casamento ainda são grandes.

Mas voltando à pesquisa, tenho certeza que você está pensando: “a qual grupo eu pertenço?”.

Como divorciada, eu estaria “disasters”, mas sinceramente, considero-me mestre, afinal há certa beleza e bastante mérito em ser amiga do ex-marido e manter – depois de 4 anos de separação – amizade, respeito e admiração.

Sim, essa é a nossa história.

Somos divorciados e extremamente generosos um com o outro até hoje.

Vai entender qual é a fórmula matemática para essa equação.

Viva a relatividade do amor!!!

Sergio Godinho já cantava: “Não vás tomar à letra aquilo que te disse quando te disse que o amor é relativo se o relativo fosse coisa que se visse não era amor o porque morro e o porque vivo”.

E tem mais: estou seguindo para um novo relacionamento!

Muito feliz e com muita generosidade no coração!

Um bom fim de semana, repleto de amor para todos!

30 de outubro de 2017