Longe do fim, obras na Rodoviária causam transtorno e confusão

Confusão e pressa: passageiros lidam com falta de espaço na Rodoviária. Foto: Reprodução.

Iniciadas em 2014, as obras da Rodoviária do Plano Piloto – com previsão de entrega em 2016 – ainda incomodarão funcionários, passageiros e comerciantes por mais um ano. A reforma atende aos alertas e relatórios do Tribunal de Contas do DF, que encontrou, em 2012, riscos e fragilidades na estrutura do terminal. Até cabos de sustentação foram rompidos durante os trabalhos.

O cronograma da obra prevê, entre outras melhorias, reforma total do mezanino; troca das instalações elétricas, hidráulicas e de gás; instalação de granitina em todo o piso do terminal; modernização dos sistemas de prevenção de incêndio; e reforma completa das áreas administrativas.

Em outubro, quando já se estourava em seis meses o novo prazo para entrega da reforma (reagendado para abril deste ano), cabos de sustentação foram rompidos e uma área de 2,4 mil metros quadrados foi interditada pela Defesa Civil. Um funcionário da telefônica Vivo foi responsabilizado, e a empresa arcará com os reparos necessários.

A dinâmica do terminal foi virada e revirada ao longo das obras. Para reduzir prejuízos e evitar acidentes, plataformas foram desativadas, e as linhas que delas partiam foram jogadas de lá para cá. Algumas foram parar até no Teatro Nacional, outras no comércio em frente ao piso superior da Rodoviária.

10 cabos de sustentação foram rompidos por funcionário da Vivo. Foto: Wagner Neves.

Canteiro de obras

O martelo ecoa suas batidas pelos corredores enquanto a serra de fita zumbe alto nas paredes da plataforma F. Alheio ao barulho dos ônibus, o ruído das obras tomou conta da Rodoviária do Plano Piloto. A sala da administração agora se abre num berro de máquinas e operários a todo vapor.

Agora, o transtorno é ali, mas já rodou por toda a extensão da Rodoviária. Feita em partes, a reforma alterou o fluxo do terminal em diversas ocasiões. Para os comerciantes, a descaracterização do terminal é sentida nos bolsos. “Caiu pela metade o número de vendas”, diz Danielson Alves, 25, vendedor de uma loja de doces.

Juvenal Brito, 46, foi afetado em momentos diferentes. “Quando eles fecharam a parte dos BRTs, eu trabalhava ali. Agora estou aqui e de novo nesse inferno”, queixa-se o comerciante, que hoje bate ponto no comércio virado para o Eixo Rodoviário Norte. Além das dificuldades de locomoção para o clientes, trabalhar sob a enxurrada de poeira não facilita a vida dos trabalhadores locais.

A trilha sonora dos passageiros agora é ao ritmo de marteladas, gritos, serras e britadeiras.  E as caminhadas são ainda mais conturbadas. Nas entranhas do terminal, tapumes limitam os espaços de circulação e formam verdadeiros gargalos de transeuntes, braços colados, amontoados na busca por algum espaço e seguem apressados a seus destinos.

Para meliantes, é como pescar num aquário. No piso superior, é possível comprar de celulares sem procedência a pequenas quantidades de entorpecentes. Todo cuidado é pouco, ainda mais na calada da noite, com movimento reduzido. O policiamento dentro da Rodoviária é afetado pelas obras, que dificultam ainda mais a locomoção por entre os pilares do terminal.

Colcha de retalhos

A reforma é uma espécie de continuação das intervenções na Rodoviária iniciadas ainda em 2013. O esforço para dar nova cara ao terminal até a Copa do Mundo de 2014, da qual Brasília foi uma das sedes, fracassou. As britadeiras cessaram semanas antes do Mundial sem que se completasse o projeto. Após a Copa, ainda na gestão Agnelo, iniciou-se a “nova” etapa.

Em janeiro, a reforma da Rodoviária alcançará o terceiro governo desde a concepção. Agnelo Queiroz (PT), Rodrigo Rollemberg (PSB) e, a partir do dia 1º, Ibaneis Rocha (MDB) formam a trinca de governadores a lidar com a reforma da Rodoviária do Plano Piloto, a principal do Distrito Federal.

A pergunta que fica é: quem ganhará nome na placa quando a obra, enfim, for concluída?

Por Olavo David Neto, sob supervisão.

27 de dezembro de 2018


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