No mês da criança, vamos falar de alimentação infantil?

Por Luciana Battella

Como outubro é o mês das crianças, vamos falar um pouquinho mais delas! A infância é uma fase de grande importância para estabelecer hábitos de vida saudáveis, inclusive alimentares.

Palatabilidade é um atributo do que é agradável ao paladar. Logo que nascemos e até mesmo na gestação, inicia-se a expressão das papilas gustativas (estruturas presentes na língua, associadas ao sistema digestório e que apresenta quimiorreceptores ligados ao reconhecimento de sabores). Até os cinco anos de idade uma criança não apresenta uma opinião de sabor, ela gosta do que o pai e a mãe gostam, a memória está aberta para formar o paladar.

A criança registra a experiência do momento e associa o sabor ao momento, portanto, ao provar os alimentos em momentos de tensão, irritabilidade, brigas ou qualquer outra carga negativa, esse alimento será associado, inconscientemente, a sensações negativas e de rejeição. Como o fato de comer tem memória emocional associada ajuda a explicar o porquê comemos na alegria e na tristeza.

Aos cinco anos essa janela se fecha, mas a boa notícia é que é possível reeducar, apesar de mais trabalhoso, readaptar as papilas gustativas para que a alimentação seja nutritiva.

Muitas crianças não consomem quantidades apropriadas de frutas e vegetais e ainda ingerem muito açúcar, gorduras, sódio (nos industrializados e embutidos), o que pode aumentar a incidência da obesidade e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, hipertensão, alguns tipos de câncer e a osteoporose na vida adulta. A boa alimentação infantil previne a deficiência de crescimento, assim como outros problemas dessa fase, com anemias, déficit de atenção e cáries dentárias.

A quantidade de alimentos consumidos em uma refeição por crianças de um a cinco anos é pequena pela limitada capacidade de armazenamento do estômago. Torna-se necessária, a administração de várias pequenas refeições ao dia. Após o primeiro ano de vida, o apetite da criança diminui devido à redução de energia necessária relativa a seu peso, ou seja, ela cresce mais devagar e ganha menos peso. Apesar da diminuição na taxa de crescimento, aumenta a necessidade de proteínas, vitaminas e minerais.

Algumas dicas:

  • Como o paladar é formado mediante o contato com os alimentos, são necessárias 8 ou 10 exposições a um determinado tipo de alimento para que a criança aprenda a gostar dele. Convença a criança, sem forçar, a experimentar pelo menos um alimento que não conhece, ela precisará de vários contatos com ele para adquirir o paladar.

  • Evite distrações como televisão, telefones e tablets na hora das refeições.

  • Ofereça oportunidade para que a criança participe da organização da refeição, por exemplo, levá-la ao mercado ou feira para escolher verduras, legumes e frutas que ela mesma consumirá. Essa será uma maneira de mostrar a ela quais alimentos são mais saudáveis e porquê.

  • Encoraje a interação e a participação de todos os membros da família durante as refeições.

  • Promova refeições atrativas, incluindo cores variadas e chamativas, com diferentes texturas e formas.

  • Parabenize a criança pelo bom comportamento.

  • Dê tempo suficiente para a criança acabar de comer, sem apressá-la.

  • Não force a criança a comer tudo. A sensação de saciedade pode ser atrapalhada inclusive na fase adulta.

  • Não use sobremesas e doces como recompensa pela criança ter comido direito ou tudo. Isso faz com que ela veja a sobremesa ou doce como a melhor parte da refeição, aumenta a preferência por doces e reduz a aceitação de alimentos não adoçados.

  • Procure comer a mesma comida da criança, crianças saudáveis e com mais de um ano já devem comer a comida da casa. Se não for possível, explique claramente o motivo pelo qual você não pode comer o alimento.

  • Crianças não têm capacidade para escolher o que devem comer, isso é responsabilidade dos pais ou responsáveis. Não emancipe seu filho, isso trará muito prejuízo para ele na infância e fase adulta.

  • Como os pais e responsáveis são modelo de conduta, eles devem dar um bom exemplo, consumindo uma variedade de alimentos e balanceando sua alimentação.

  • Educar nutricionalmente seu filho é um ato de amor.

Pais e responsáveis não têm somente a obrigação de oferecer alimentos adequados para suprir as necessidades, mas também devem estabelecer uma atmosfera agradável em torno da alimentação, para que a criança desenvolva uma atitude positiva, com hábitos alimentares saudáveis.

5 de outubro de 2017


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