“Novo velho” programador do Cine Brasília promete resgatar a alma do cinema na capital

José da Mata foi nomeado programador do Cine Brasília pela segunda vez. Primeira passagem foi entre 1985 e 1993. Foto: Agência Brasília.

Velho conhecido na programação do Cine Brasília. Residente no DF desde 1965, baiano, adepto do cinema como forma de educação, militante da sétima arte e ocupante do cargo entre 1985 e 1993, José da Mata reassume o posto de encarregado das obras exibidas no mais antigo cinema ativo da capital. Indicado pelo governo Ibaneis Rocha (MDB), diz priorizar a exibição de produções nacionais no escurinho da 107 sul.

Lá nos anos 1980, da Mata foi responsável pela criação de diversos órgãos e grupos dedicados às telonas. Foi ele o idealizador do Cine Clube de Brasília, do Cinema da Escola parque e do Centro de Cultura Cinematográfica da Cultura Inglesa. Além de tudo, José foi amigo de Renato Russo antes mesmo da meteórica Legião Urbana. Em entrevista à Agência Brasília, afirmou ainda ter uma dívida com o cantor, falecido em 1996.

Isto porque, ainda nos tempos de professor de inglês, no início dos anos 1980, Renato não se furtava dos pitacos na programação do cinema da Cultura Inglesa, onde ambos trabalhavam. Cinéfilo, o músico “exigiu” ao colega a exibição de Quadrophenia (1979), de Franc Roddam, inspirado no álbum homônimo da banda britânica The Who. Em meio aos anos de chumbo, a obra foi censurada pelo teor transgressivo. Quase 40 anos depois, planeja exibir o filme no Cine Brasília ainda em 2019.

Crítico dos “blockbusters” –  filmes voltados às bilheterias, venda de produtos licenciados e . anúncios publicitários -, aos quais classifica como produtos de “Um cinema sem alma, sem conteúdo”. Segundo José, a sétima arte tem papel importante na formação não só cultural, mas também de cidadãos. Sob sua gestão, essa será a função do estabelecimento. “O cinema foi criado para educar, não para imbecilizar o povo. E essa é a função do Cine Brasília.

4 de fevereiro de 2019