Brasil precisa reduzir dependência do transporte individual, diz especialista

Com preço do combustível nas alturas, País tem compromisso de redução de emissão de gases do efeito estufa, assumido no Acordo de Paris, ratificado em 2016

Por Marcelo Moura, em 5/12/2017 – Eu adoro carro. Tu adoras carro. Ele adora carro. O Brasil inteiro adora carro. Prova disso é o mero fato de estares lendo uma coluna que fala, sobretudo, de carros.  Mas, convenhamos, está cada vez mais difícil andar de… carro. O preço do combustível por si só já tem se tornado um grande aliado dos defensores do meio ambiente.

Para o economista e cientista ambiental Walter Figueiredo de Simoni, coordenador de Transporte do Instituto Clima e Sociedade (ICS), organização não-governamental dedicada a combater as causas das mudanças climáticas, o Brasil precisa reduzir a dependência do transporte individual e priorizar o transporte público, para conseguir cumprir o compromisso de redução de emissão de gases do efeito estufa, assumido no Acordo de Paris, ratificado pelo país em 2016.

Simoni e outros especialistas vão participar nesta quarta-feira (6) do primeiro Encontro Internacional sobre Descarbonização do Transporte, que discutirá experiências e estratégias de diferentes países para um transporte sustentável. Pelo Acordo de Paris, o Brasil se compromete a reduzir 37% das emissões de gases até 2025 e 43% até 2030, tendo como base de comparação o ano de 2005.

Segundo oconomista, embora a melhora do sistema de transporte coletivo nas cidades seja um dos objetivos que o Brasil se propõe no documento submetido às Nações Unidas, como meio para alcançar as metas de redução das emissões, até o momento não existe um detalhamento das políticas a serem implementadas para tornar isso possível. “(O objetivo) está (posto) de maneira vaga, a gente precisa detalhar isso de forma prática. Se vai ser mais investimento, mais espaço dentro da cidade (para o transporte público)”, diz.

Ele explica que outro compromisso assumido pelo Brasil foi aumentar o uso de biocombustíveis. “O Brasil ainda não detalhou nenhuma dessas opções. A gente não sabe como esses dois temas vão se traduzir em metas específicas. Há uma vontade de se trabalhar nessas questões”, destacou.

Simoni defende ainda a diminuição da dependência do país do modal rodoviário para o transporte de cargas. “A gente está falando de uma questão econômica. Onde os bens são produzidos no país e como chegam até os consumidores finais? A carga é transportada através de caminhões, que funcionam usando combustíveis fósseis. Para a gente conseguir reduzir, tem que enfrentar esse desafio de como lidar com os modais de carga no Brasil no longo prazo e como a gente pode ser mais eficiente na maneira de transportar as coisas”, afirmou.

Segundo ele, o Encontro Internacional sobre Descarbonização do Transporte discutirá caminhos práticos para implementar essas mudanças, além de analisar as experiências de outros países. “Temos vários países e cada um está resolvendo de maneira distinta. Teremos o exemplo do Chile, da Alemanha”, ressaltou.

Além do ICS, o evento está sendo organizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) e pela Embaixada da Alemanha. No período da manhã, o debate será sobre experiências internacionais. À tarde, serão discutidas propostas para descarbonizar o transporte brasileiro e as tendências tecnológicas e inovações na área.

Com informações da Agência Brasil

5 de dezembro de 2017


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