As várias formas de ler uma pesquisa

Por Rodrigo Antonio de Oliveira Souza

Invariavelmente, as pesquisas de opinião pública são questionadas quanto à sua credibilidade. Os protestos partem do público desagradado que encontra na invalidação dos resultados respostas para negar a voz do povo.

A questão é: dependendo do ponto de vista de quem está analisando a pesquisa o copo pode estar meio cheio ou meio vazio.

Um recorte da pesquisa Ipsos, amplamente divulgada pela imprensa e repercutida pelas redes sociais neste fim de semana, é um exemplo clássico de como a interpretação e a leitura dos dados pode favorecer este ou aquele candidato e, dependendo do enfoque dado pela mídia, ela pode ser considerada tendenciosa.

Por um ângulo podemos dizer que, entre os nomes com maior probabilidade de candidatura para as eleições de 2018, Lula é quem conta com maior índice de aprovação 28%. Na mesma linha de raciocínio, poderíamos dizer que os tucanos Alckmin e João Dória contam com “somente” 12% e 16% de aprovação. Por esta ótica, a leitura claramente beneficia o candidato petista.

Por outro ângulo, poderíamos analisar que o prefeito de São Paulo, João Dória, possui entre os prováveis candidatos a presidente em 2018, o menor índice de desaprovação – 52% – enquanto Lula possui uma desaprovação de 66%.

Reparem, basta mudar o foco para a pesquisa favorecer este ou aquele candidato.
No entanto, é sine qua non que outros contextos sejam colocados em pauta. Primeiramente é preciso saber os motivos pelos quais os potenciais candidatos estão sendo aprovados ou desaprovados. Como comparar a desaprovação/aprovação de um Presidente da República, de candidatos à presidência, políticos das mais variadas estirpes, juristas e até de um apresentador de televisão? Para cada um existe um critério diferente.

Outra coisa que não teve nenhum destaque pela mídia diz respeito ao nível de conhecimento que a população possui acerca dos nomes avaliados. A título de exemplo, vamos utilizar dois presidenciáveis o deputado Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. O primeiro conta com 54% de desaprovação, 15% de aprovação e 31% dos pesquisados dizem não o conhecer o suficiente para avaliá-lo. Lula conta com 68% de desaprovação, 28% de aprovação e apenas 4% dos pesquisados dizem não o conhecer para avaliá-lo. Isto quer dizer que, em teoria, Bolsonaro possui uma margem maior de manobra para trabalhar sua rejeição e aumentar sua aprovação.

Pesquisa de opinião publica é coisa séria. Uma vez divulgados os resultados o Instituto precisa garantir a transparência das informações colhidas e os dados estão sujeitos à auditoria. Portanto, analisar recortes de pesquisas podem sim direcionar os resultados ao gosto do freguês. Responder as perguntas corretamente e contextualizá-las é a garantia de que o eleitor não tenha uma visão do copo meio cheio ou meio vazio.

 

31 de agosto de 2017