A fotografia de hoje pode não ser o cenário de 2018

Por Rodrigo Antonio de Oliveira Souza

Nesta semana mais uma pesquisa de intenção de voto para presidente, na eleição de 2018, foi divulgada. Os resultados revelados pelo site poder380 mostram que ex-presidente Lula está na dianteira. O deputado Jair Bolsonaro desponta em segundo lugar e daí em diante tem um monte de nome disputando a terceira colocação: João Dória, Marina Silva e Geraldo Alckmin.

A intenção aqui não é analisar números, mas entender que este tipo de pesquisa precisa ser interpretada como uma fotografia: ou seja, recheada de “se(s)”. “Se” a eleição fosse hoje, “se” não houvesse nenhuma campanha, “se” nenhum outro escândalo surgir, “se” os candidatos fossem estes colocados em questão Lula e Bolsonaro disputariam o segundo turno da eleição presidencial.

O que acontece é que existe todo um contexto até 2018, a começar pelos os candidatos, alguns destes nomes podem ser impedidos pela Justiça de disputar o pleito.

Outros fatores são também resultados de pesquisa, mas que não são destacados e nem ponderados na análise fria dos números: a primeira vertente diz às motivações do eleitor comum – aquele que não milita para nenhum candidato – elas mudam e, com tanta instabilidade no país, as convicções de voto neste ou naquele candidato podem se alterar.

Quem se lembra de Marina Silva que assumiu a dianteira das pesquisas logo depois que Eduardo Campos morreu no acidente de avião. A candidata assumiu a dianteira das pesquisas para depois ver as suas intenções de voto virarem pó. A campanha política do adversário foi determinante para a sua queda mudando opiniões de eleitores pró-Marina.

Este é um exemplo: tem candidato que é assim, bom de pesquisa e ruim de voto. Dirá Celso Russomano.

E por último, também baseado nas nossas experiências com pesquisas, vemos que o eleitor que realmente decide uma eleição, faz sua opção na reta de chegada, ou seja, poucos dias antes da eleição. Vocês também devem se lembrar: Lula, em todas as eleições que perdeu, estava na frente das pesquisas que foram realizadas seis meses antes das eleições. Com Dilma, na sua primeira disputa também foi assim, o tucano José Serra era o favorito meses antes da eleição.

Portanto, no cenário eleitoral de 2018 nada está definido e o eleitor não pode se amimar ou desanimar, dependendo de qual lado você está. Pesquisas precisam ser analisadas como um filme, elas nos contam histórias e quando analisadas isoladamente servem, muitas vezes, para incitar a militância desde ou daquele candidato.

25 de agosto de 2017


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