#PrayForSomalia: pelo direito de ser humano

Por Alessandra Uzuelli

No último sábado, dia 14/10, dois caminhões abarrotados de explosivos foram detonados em duas regiões de grande movimento em Mogadício, capital da Somália. Mais de 300 pessoas morreram. O atentado Terrorista atribuído ao grupo Al-Shabab, que desde 2006 tem cometido atendados no interior do país. São execuções sumárias, implantação de minas terrestres dentre outros atos terroristas. Eles atuam visando a deposição do governo Somaliano. O governo local tem recebido apoio dos Estados Unidos e da ONU, para sua manutenção.

Este não foi o primeiro ato de terror no país e posso afirmar que, infelizmente, não será o último.

A Somália é um país instável, com instituições frágeis e pouco representativas. O atual governo foi eleito de forma indireta por 275 deputados eleitos em por delegados. Não é uma forma convencional de eleição mas foi um avanço para o país situado no chamado “chifre da África” e que no decorrer dos séculos foi dominado por diversos povos e países, o que contribuiu para a formação de um Estado disperso e pouco atuante.

A Organização das Nações Unidas (ONU), tem feito alertas constantes sobre a situação de instabilidade, fome e do constante desrespeito aos Direitos Humanos, que vem ocorrendo na região da África Oriental (Sudão, Etiópia, Iêmen, Somália).

Quando um atentado nas proporções do ocorrido na Somália, não se torna ponto de destaque nas Redes Sociais, podemos dizer que algo não vai bem.

Mas, veja bem, esta semana está muito movimentada, temos Projetos de Lei modificando a Lei Maria da Penha, Portarias alterando a definição de Trabalho Escravo, Senado votando contra decisão da Corte Suprema (STF), além, é claro, da moça que morreu na novela.

As Redes Sociais são um grande termômetro dos aparentes interesses do brasileiro, a ausência de hashtags é um grave sintoma nesta questão. O direito à vida foi retirado de forma brutal de centenas de pessoas e antes disso, os direitos à saúde, educação, alimentação e todos quantos estiverem na Declaração Universal dos Direitos Humanos foram suprimidos do povo Somaliano.

A Declaração no seu artigo primeiro diz que:

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”

Quando discutimos Direitos Humanos o primeiro ponto a ser determinado é onde está o nosso Espírito de Fraternidade? E onde estão estes seres humanos livres e iguais em dignidade e direitos?

Aparentemente os que tem estes direitos são todos meus conhecidos e moram no prédio ao lado. Os que não nasceram livres e iguais, estão ali na África e o seu sofrimento é notícia até que algo um pouco menos trágico aconteça.

A tragédia Africana não é nova e não é pequena, talvez seja esta a razão para o tratamento distanciado da situação. O fato de os atos terroristas de 14 de outubro não estarem entre os principais trends (tendências) esta semana acende a questão do tratamento dado às violações dos Direitos Humanos, quando o Terror rouba vidas e futuros, precisamos parar e discutir.

Para onde caminha esta humanidade, que carente de atenção esquece do próximo para centra-se naquilo que lhe traga satisfação imediata?

Ser humano é ser fraterno (companheiro, irmão), é estender a mão ao que precisa independentemente de onde ele viva, da cor de sua pele e de suas conquistas ou tragédias.

O maior fator de mudança quando tratamos de Direitos Humanos é a indignação. Quanto menor o inconformismo e maior a vontade de provocar mudanças, mais força ganham aqueles que lutam por esta causa.

19 de outubro de 2017