Programa do PT foi um primor

Por Rodrigo Antonio de Oliveira Souza

Depois de alguns longos anos escutando o eleitor em nossas pesquisas qualitativas podemos ousar fazer uma análise sobre como a mensagem que o Partido dos Trabalhadores (PT) veiculou em seu programa partidário no dia 12 de outubro foi recebida pela população.

Não por você leitor, que é um privilegiado por ter acesso à este tipo de conteúdo disponibilizado neste portal, mas aquele eleitor comum, que tem o dia a dia para tocar, pouco interessado por política e de saco cheio dos políticos.

Em primeiro lugar, grande parte destes eleitores não deve ter visto o programa. Quem viu, provavelmente não prestou atenção. E quem prestou atenção, fragmentou a mensagem – e este é um grande trunfo sobre o que foi apresentado.

O eleitor comum, que assistiu partes do programa, viu na primeira cena uma pessoa de chinelo e bermuda fazendo um churrasco, com a locução: “Depois da eleição de Lula, a vida melhorou.” Quantas vezes deparamos nos Grupos de Discussão (uma das modalidades da pesquisa qualitativa) com a frase: “No tempo de Lula, a gente tinha carne para comer”. Pois é, a propaganda do PT materializa, com esta cena, uma fala, um sentimento, e relaciona a carne com a melhora da vida. Dai em diante dá-lhe números que corroboram com a afirmação. O eleitor comum, que assistiu só este fragmento muito dificilmente discordaria desta mensagem.

Depois o programa coloca o brasileiro de “cabeça erguida”, exalta o nosso orgulho, menciona os tempos áureos do Brasil na era PT e coloca o depoimento do ex-presidente dos EUA, Barack Obama, “abençoando” Lula dizendo: “ele é o cara.” E dá-lhe ações e projetos da era PT: Mais Médicos, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, 13 milhões de pessoas atendidas pelo Bolsa Família, Pronatec, Fies, dentre outros. O eleitor comum, que assistiu só este fragmento muito dificilmente discordaria desta mensagem.

Prosseguindo, menciona a crise, que no programa do PT teria se iniciado, de uma hora para outra em 2015 e se agravou porque a oposição não deixou Dilma governar, e os “derrotados na eleição espalharam pessimismo e ódio contra Lula e o PT”. Acrescenta que o país está em retrocesso por conta das ações do governo Temer: “congelamento por 20 anos dos gastos com a saúde e educação. Está acabando com o Programa Mais Médicos, Farmácias Populares e Ciências sem Fronteiras. Ameaça a aposentadoria e os direitos dos trabalhadores. Já começou a vender hidrelétricas e anunciou a venda da Eletrobrás.” Tudo isso é repetido e reforçado pela presidente do partido Gleisi Hoffmann. O eleitor comum, que assistiu só este fragmento muito dificilmente discordaria desta mensagem.

Como fechamento, fala-se exclusivamente para as mulheres e as conquistas delas no governo Lula. Ademais o ex-presidente é apresentado como um político perseguido, e que ninguém achou nenhuma prova contra ele e só o estão denunciando porque “não querem que ele dispute a presidência.” Mais uma vez, o eleitor comum, que assistiu só este fragmento, muito dificilmente discordaria desta mensagem.

Se o quê foi apresentado é verdade ou não, se foi uma propaganda política disfarçada de programa, cabe julgamento aos órgãos responsáveis. O fato é que o programa foi um primor. Pode não capitalizar votos de imediato, mas cumpre missão de reduzir taxas de desaprovação do ex-presidente que segundo pesquisa mensal de credibilidade realizada pelo instituto Ipsos, em setembro, o porcentual da população que não concorda com a atuação de Lula caiu de 66% para 59%, enquanto a parcela da sociedade que o aprova subiu de 32% para 40%.

A probabilidade dos números melhorarem em Outubro é grande.

16 de outubro de 2017


1 Comentário

  1. Só quem for muito, mas muito mesmo ignorante, analfabeto ou alienado mental ainda pensa em votar neste safado ou em algum apaniguado dele. Este desgraçado acabou com a porra deste País.

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