Quem decide sobre a morte?

Por Alessandra Uzuelli

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nos últimos dias assistimos ao vivo e em cores fortes, a morte por decapitação de pelo menos 09 presos, do sistema Carcerário de Goiás. Esta notícia poderia ser de fato nova se não fosse tão parecida com uma ocorrida no mesmo período no ano passado quando 133 presos foram mortos nos primeiros 15 dias do ano em todo país.

Nas redes sociais, em noticiários, jornais, Blogs e nas reuniões familiares não se falou de outra coisa.

“Você viu que horror?” e “Bandido bom, é bandido morto” foram as expressões mais utilizadas quanto ao ocorrido. Depois delas, discussões sobre a culpa/causa: Facções ligadas ao narcotráfico? Corrupção? Superlotação? Falta de investimento em segurança? Legislação pouco eficaz?

Em minha muito pessoal opinião, a causa é a reunião de todos estes pontos, não há como simplificar, já que todos estes fatores estão interligados. E, todos se encontram em um só, na falência do Sistema Prisional Brasileiro. Presídios mal construídos, acesso à armas e celulares em razão da corrupção de alguns agentes penitenciários, a intensa atividade das facções operando de dentro dos presídios, e, uma legislação, que embora considerada de vanguarda a seu tempo, tornou-se obsoleta e inaplicável.

O número excessivo de detentos nos presídios, funciona como uma bomba relógio, é um tic-taquear constante sobre as cabeças dos Secretários de Segurança, até que em algum momento ocorre a explosão, que assusta, mesmo sendo esperada.

As consequências da explosão? Morte.

Morte, não apenas do sistema, que já se encontra moribundo, mas da sensibilidade. Não estou sendo ingênua, ou condescendente aqui, estão entre os mortos internos que mesmo dentro do sistema são considerados peso morto (embora creia que nenhuma vida possa ser tomada). O que causa espécie não é a violência externada por aqueles que estão acostumados a ela, o chocante é a violência de pensamento das pessoas que aqui fora estão.

Quando há apoio ao resultado dos homicídios dentro dos presídios e de quem deve ou não morrer e de que forma isto deve ocorrer (decapitações, esquartejamento, incineração) em que nos mostramos melhores?

Em quem podemos acreditar para mudar o que aí está e suas nefastas consequências?  No sistema? Em nós mesmos? Confiar que o sistema já quase inexistente possa se auto restaurar ou que algumas poucas palavras possam mudar a situação?

Não há uma resposta fácil ou pronta para esta questão, assim, não vou fornecer uma. Não quero dar respostas, neste momento creio que o que precisamos é de uma grande e profunda reflexão.

9 de Janeiro de 2018


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