Quem será o próximo candidato? Melhor combinar com o eleitor

Por Rodrigo Antonio de Oliveira Souza

Em quase todas as pesquisas que deparamos, quer seja aquelas de realização própria e  aquelas que temos acesso de outros institutos, a frase repetida quase como um mantra é a da “renovação politica”. Mas, a teoria é uma coisa e na prática, o eleitor tende a ser pragmático.

Há algumas semanas  tivemos eleição no estado do Amazonas e um velho conhecido foi eleito. Amazonino Mendes, ex-prefeito de Manaus e ex-governador sagrou-se vencedor alcançando pouco mais de 59% dos votos.

Mas, as pesquisas não indicam que o povo quer renovação?

Pois é, então vejamos: em números absolutos ele alcançou 782.933 mil votos. Seu adversário Eduardo Braga, também ex-governador, ex-prefeito, Ministro de Estado e Senador da República obteve 539.318 mil votos. E, vejam, 1.016.635 não votaram, ou votaram em branco, ou anularam o voto.

Historicamente, o número de votos brancos, nulos e abstenções nas eleições passadas no Amazonas orbita na casa dos 22%. O que teria acontecido então para o número ser tão discrepante nesta eleição extemporânea? Algumas das hipóteses são: além de o eleitor não se empolgar com os mesmos nomes batidos e conhecidos, o voto não é percebido como instrumento democrático de mudança para o cidadão.

A consequência são os altos índices de eleitores que por algum motivo não querem votar.

Em recente pesquisa contratada pelo TSE e realizada pelo instituto Opinião de Brasília, investigou-se o por quê do alto índice de abstenções entre pessoas de 16 a 20 anos. Foi confirmada uma informação que já desconfiávamos: um dos motivos pelo qual o jovem não enxerga o voto como instrumento democrático é que ele é uma moeda de troca de curto prazo: seu voto vale apenas no dia da eleição, mas os benefícios para o político duram por quatro ou mais anos.

Tendo 2018 como horizonte, estamos vendo isto em vários estados, inclusive no DF. Partidos lançam seus candidatos em completo desalinho com os anseios do eleitor, apostando apenas no retrato que as pesquisas mostram sobre quem está na frente no momento das prévias partidárias e desprezando fatores como projeção de votos e, principalmente, a rejeição.

Ou seja, não estão combinando com eleitor quem será o candidato e a consequência mais visível é o dispêndio maior na campanha eleitoral, pois convencer um eleitor descrente que o candidato é bom necessita de muita lábia.

Outra consequência mais nefasta é: o vencedor, ainda que legitimado pela maioria dos votos, entra no governo desgastado, com índices de rejeição altíssimos, dificultando, e às vezes, inviabilizando projetos de governo por falta de apoio da opinião pública.

O fato é que, diante destes cenários incorporado ao mau humor com os políticos, a eleição de 2018 abre espaço para os extremos: aventureiros que posicionam como salvadores da pátria ou políticos que se perpetuam no poder.

8 de setembro de 2017