Reforma política para garantir mandatos

Por Adelmir Santana

A renovação da política brasileira depende de uma profunda mudança no sistema eleitoral vigente e de uma participação mais efetiva da sociedade. Não se repara nada sem substituir aquilo que está danificado. Os nossos congressistas sabem disso e é por esse motivo que eles não fazem a reforma política tão aguardada pela população. As mudanças acordadas não refletem as discussões que têm sido travadas pela sociedade. Ao se recusarem a enfrentar verdadeiras propostas capazes de aperfeiçoar o sistema político brasileiro, os parlamentares reforçam a máxima de que não estão dispostos a mudar o modelo que lhes garantiu o cargo. Evidenciam mais uma vez como se apequenaram ideologicamente e foram suplantados por interesses mercantilistas e eleitorais.

O que interessa

Não se observa nenhuma vontade real em aprovar medidas capazes de combater a corrupção, ampliar a representatividade do parlamento, favorecer o ingresso de bons quadros na política, tornar o processo eleitoral mais democrático, ampliar os poderes dos eleitores e diminuir o tamanho das casas legislativas. Essa é a reforma política que a população tanto anseia. Não um punhado de mecanismos voltados para salvar os mandatos de quem se envolveu em escândalos e tem medo de perder o foro privilegiado. Nunca se cogitou o fim da obrigatoriedade do voto. Tampouco se aprofundou o debate sobre o voto distrital e distrital misto. Fica claro que essa é a reforma dos eleitos, não dos eleitores.

Alternativas de renovação

Resta para sociedade construir estratégias alternativas de renovação. Apesar dos obstáculos que o sistema impõe ao surgimento de novidades, a crise ética, política e moral favorece um ambiente de mudança, um desejo por gestores honestos e comprometidos com a causa pública. A população, por sua vez, precisará transformar esse sentimento anti-político em participação.

Transformação

A transformação pode ser feita com a ajuda das redes sociais e também com ajuda das ruas, com ações e mudanças de comportamento. De qualquer forma, para mudar o Brasil precisamos acabar com a velha política.

5 de outubro de 2017