Revendas repudiam o aumento no preço do gás de cozinha

O reajuste no preço do do botijão de gás, anunciado pela Petrobras na última sexta-feira (3/5), já está fazendo efeito no bolso dos consumidores que foram aos pontos de revenda nesta segunda-feira (6/5). O gás liquefeito de petróleo (GLP) residencial aumentou entre 3,3% e 3,6% nos polos de suprimento. O valor do botijão de 13 quilos, sem tributo nas distribuidoras, passou de R$ 25,33 para R$ 26,20, uma alta de R$ 0,87 em relação aos preços vigentes desde fevereiro.

A Petrobras informou, em nota, que o reajuste ocorre a cada três meses e o aumento trimestral definido se deve ao cenário internacional do GLP. “Os principais fatores para o ajuste nas refinarias foram a desvalorização do real frente ao dólar e a alta do produto no mercado internacional.”

O presidente da da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR), Alexandre Jose Borjaili, vê o aumento do gás como abusivo. “De acordo com a empresa, eles seguem a média do mercado europeu, mas o preço está acima da média. A maioria dos consumidores do GLP são famílias de classe média e baixa, ou seja, usam muito esse gás. A Petrobras produz o gás residencial para o Brasil e compara com os preços internacionais. A população precisa do gás para o combate à fome para fins residenciais, não deveria ser prejudicado.”
O botijão de gás estará disponível em valores entre R$ 65 e R$ 80 nas revendedoras. Para quem solicitar a entrega em casa, o preço sofre variação entre R$ 75 e R$ 97 nas regiões do DF. No entanto, o reajuste ainda não chegou em todos os pontos de revenda.
Dona de casa e moradora de Arniqueiras, Camila Sthefany também se revolta com o reajuste no gás de cozinha. Por ser mãe de 4 filhos, ela conta que tem muita dificuldade em pagar mais de R$ 75 em um botijão. “Só hoje, já vi lugares vendendo o gás de cozinha por R$85, é um absurdo”, reclama. Para se adaptar aos preços, a dona de casa ainda precisará reduzir o uso do fogão na hora de cozinhar. “Para quem tem 4 filhos, R$ 80 é coisa demais. Esse aumento vai influenciar até na hora de fazer um bolo ou cozinhar um feijão”.
A Asmirg-BR repudiou o aumento encaminhado pelas distribuidoras. “Há uma má fé nessa divulgação. A associação entende como abusivo esse ato das distribuidoras, porque elas poderiam apenas repassar o aumento dos centavos. A associação já vem tomando medidas em relação a isso, entramos com processo na Controladoria Geral da União (CGU) e estamos também em dois Ministérios Públicos Estaduais fazendo essa denúncia,” afirma o presidente da Associação.
Leandro Rodrigues, vendedor de tintas, é morador de Taguatinga e reclama do aumento proposto para o botijão de gás. “Eu acho um preço acima de R$ 70 muito caro, porque meu salário não aumenta, e porque todo dia tem um aumento diferente, seja na gasolina ou no gás de cozinha”, afirma o vendedor, que por usar o gás de cozinha com frequência, não sabe como fazer mudanças em sua rotina a fim de economizar.
Com informações do Correioweb
7 de maio de 2019