Servidor filma esgoto invadindo Cras de Riacho Fundo 2

A entrada do prédio do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) do Riacho Fundo 2 foi alagado por um vazamento de esgoto. O registro foi feito neste domingo (4), por um servidor que preferiu não se identificar, e mostra gramado e acesso tomados por esgoto, dificultando a entrada no local, além de um forte cheiro ruim, como relatou o autor do vídeo.

De acordo com o Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do Governo do Distrito Federal (Sindsasc), o atendimento foi suspenso e todos os servidores da unidade foram dispensados do trabalho na segunda-feira (5). Outra servidora do Cras informa que uma equipe da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) foi até o local para desobstruir a caixa de esgoto e lavar com água o gramado e entrada do prédio, mas o mau cheiro persistiu, segundo servidores da unidade.

O prédio da unidade de atendimento é emprestado pela administração regional da cidade e não possui estrutura necessária para atendimento, segundo Clayton Avelar, presidente do Sindsasc. “O Cras do Riacho Fundo 2 é a nossa pior unidade em todo o DF. Há alguns anos, o local era utilizado para estocagem de adubo. Lá não tem divisão interna. Somente a recepção tem divisórias. Não temos isolamento nem vedação acústica para atendimento individualizado aos usuários”, explica.

Problemas graves

Falta de estrutura, de segurança e de pessoal estão entre os principais problemas encontrados por servidores e usuários da assistência social no DF. No último dia 23, um caso de violência foi registrado na unidade de Santa Maria. Pessoas tentaram forçar a entrada pelo portão e um homem chegou a atirar um banco contra um dos seguranças da unidade.

Neste ano, o Centro de Convivência (Cecon) de Santa Maria foi alvo de três assaltos em um mês. Os crimes foram registrados entre fevereiro e março. Em um dos crimes, ocorrido durante o dia, uma funcionária foi agredida fisicamente. Computadores, microondas, impressoras, botijão de gás e até bolas foram furtados da unidade. Tiroteios, assaltos e cenas de agressão a usuários já foram registrados nos arredores do prédio. Em Samambaia, o cenário também é crítico. Em 2017, o Cras da região foi alvo de um assalto à mão armada em pleno horário de atendimento.

A falta de servidores também prejudica o atendimento à população. Segundo o Sindsasc, seriam necessários um acréscimo de 1.500 servidores para atender à demanda. A Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) anunciou para o dia 18 de julho deste ano a publicação de um edital para realização de concurso público para a carreira da assistência social, com 314 vagas. Segundo o sindicato, o número insuficiente para suprir o déficit de servidores da pasta. Entretanto, passado o prazo, o edital não foi publicado pelo GDF.

Entre as unidades que compõem a estrutura da assistência social no DF, estão os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializada de Assistência Social (Creas), Centros de Convivência, Restaurantes Comunitários, Unidades de Acolhimento, Centros POP, Pró-Vítima, Casa da Mulher Brasileira, Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam), Núcleos de Atendimento à Família e Autores de Violência Doméstica (NAFAVD) e Casa Abrigo, que acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social.

6 de novembro de 2018


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