Sobre cartinhas de Papai Noel

Por Kelly Kareline Cordova

Ricardo Stuckert/ Fotos Públicas

Quando eu era criança acreditava piamente que o Papai Noel existia. Lembro-me que aos 7 anos pedi uma bicicleta, mas acordei bem na hora que minha mãe a colocava no quarto. Achei aquilo estranho e logo descobri que meus pais eram o Papai Noel. Veio a breve desilusão de ter sido enganada por todos aqueles anos, mas eu superei rapidamente.

Na minha vez de ser mãe eu nunca fiz questão de promover a imagem do Papai Noel. A verdade é que jamais parei para pensar em como eu deveria abordar tal assunto. Minha filha Sofia foi crescendo, eu e meu marido entregávamos os presentes, ela via o Bom Velhinho no Shopping e nunca fez maiores perguntas.

Até que neste ano jantávamos na casa de nossos compadres e eis que minha afilhada Duda perguntou para Sofia se ela já tinha escrito a cartinha do Papai Noel. Duda contou que os pais dela nunca tinham dinheiro para o presente de Natal então quem providenciava era sempre o barbudão. Já Sofia tratou de dizer que o Papai Noel até podia entregar os presentes, mas eram os pais dela que compravam. Lá no fundo fiquei até contente com a resposta dela, como assim dar os créditos do suado presente para o carinha que nem existe?

No entanto todo esse assunto despertou em Sofia a vontade de escrever pela primeira vez uma cartinha com seus desejos de Natal. De fato, ela só se alfabetizou neste ano e aproveitou para escrever uma bela mensagem pedindo tudo que ela tinha direito. Dentre eles um tablete e um celular (porque ela sabe que eu e o pai dela não vamos dar isso). Ela deixou a carta próxima a árvore junto com cookies para que Papai Noel pegasse, conforme as orientações da Duda, mesmo eu explicando que ele vem a nossa casa só para deixar o presente. Meu marido entrou na brincadeira, comprou cookies, pegou a carta e ainda comeu os biscoitos. Agora vou deixar que ela pense que ele existe até descobrir sozinha que ele é um personagem.

Apesar de não fazer questão de incentivar essas crenças (com exceção da Fada do Dente, porque ela sempre sofre muito para tirar os dentinhos), achei muito meigo o carinho que ela teve ao escrever a cartinha. Fernando, meu caçulinha de 2 anos, já se encanta com a figura do Bom Velhinho e fica impressionado com o senhor de vermelho. Provavelmente Sofia vai dar todas as dicas sobre cartinhas e desejos para ele.

Não sei qual a melhor forma de tratar do assunto, mas nesse mundo tão maluco, e com tantas coisas ruins acontecendo ao mesmo tempo, penso que um pouco de encanto e magia pelo Natal só possa fazer bem.

14 de dezembro de 2017