Sobre crianças e limites

Por Kelly Kareline Cordova

Na Semana das Crianças fiquei pensando nas loucuras que fazemos pelos filhos. No grupo Mães Amigas uma procura desenfreada pela boneca do momento (que anda em falta no mercado) foi responsável por uma série de posts de busca pelo objeto. A tal boneca que custa menos de 10 dólares nos Estados Unidos (uns 30 e poucos reais) chega bem inflacionada por aqui. O motivo da moda são as mini Youtubers que fazem vídeos para mostrar as aquisições e deixam as meninas (e as mães) enlouquecidas!

Eu também fui atrás de uma pra Sofia, mas não encontrei. O presente teve que ser outro, rolou uma decepção da parte dela, uma certa culpa da minha parte. Comprei um livro pra ela e outro pro Fernando. Sofia começou a ler agora e mesmo que goste de livros, talvez não fosse o presente que ela queria de Dia das Crianças. Depois pensei, a vida é assim, nem sempre temos o que queremos, e creio que os pais também precisam ensinar isso pros filhos.

Antigamente as crianças gostavam mesmo era de brincar na terra, de pé descalço e hoje estamos presos aos brinquedos da moda. Tenho o privilégio de morar em casa e meus filhos podem aproveitar bastante o quintal, colher frutas no pé, se lambuzar… por que mesmo que Sofia precisa daquela tal boneca?

As novas gerações estão muito mimadas, desacostumadas com o não. É normal os pais quererem oferecer tudo de bom e de melhor para os filhos, mas muitas vezes isso não é saudável. Na vida precisamos aprender a lidar com as negativas, com as frustrações. Se não fazemos desde a infância, penso que no futuro pode ser bem pior.

Não sou especialista, e a coluna, são reflexões sobre meu cotidiano e sobre o que eu acompanho no grupo. Na semana passada, um post polêmico gerou algumas discussões e falava sobre as crianças que não podiam esperar. De um lado algumas pessoas que acreditam que é necessário superproteger os filhos, de outro, as defensoras de uma criação com mais limites.

Muitas vezes me vejo como minha mãe quando me negava alguns pedidos. Sofia é uma criança de 7 anos que começou a dar algumas respostas atravessadas e sempre tem bons argumentos.  Eu agora faço as vezes de mãe chata, ainda que muitas vezes fosse mais fácil dizer sim a todos os seus pedidos. Enquanto isso sigo meus instintos para tentar dar sempre a melhor educação para meus dois pequenos, ainda que isso não seja muito fácil.

17 de outubro de 2017