SOS: o trunfo do GDF contra o caos na saúde

Na segunda-feira (7), o Instituto Hospital de Base foi o palco onde Ibaneis Rocha (MDB) assinou o SOS Saúde, subsidiário do SOS DF. O plano de recuperação, equivalente ao estado de emergência, foi editado com base em informações angariadas pela equipe de transição no período pós-eleição. O decreto tem validade de seis meses.

Na prática, o programa foi criado para direcionar recursos, insumos e material humano com mais agilidade. Pela medida, o Governo do Distrito Federal pode contratar serviços e adquirir medicamentos sem licitação, além de ampliar horas extras de servidores, bem como a realização de cirurgias eletivas (aquelas propostas, mas que podem aguardar).

Estima-se em R$ 10 milhões o custo adicional do decreto. O objetivo do montante é cobrir as novas contratações e pagar as horas extras do chamado “terceiro turno” da saúde”, que atenderá também à noite. Tudo isso, segundo o governador, para “trazer novamente a saúde para uma condição que ela pode se gerir de forma natural”.

O SOS Saúde prevê ainda recontratações de servidores já aposentados. Em esforço conjunto, a Secretaria de Cidades agirá numa mobilização para vacinação. A Secretaria de Obras, por outro lado, reformará salas de cirurgia, para reabrir algo perto de mil leitos.

O GDF também criará um mutirão de cirurgias de urgência (procedimentos de prazo entre 24h e 48h), com objetivo de reduzir a zero as filas cirúrgicas no Distrito Federal. Novos exames e realocações nas listas de espera também estão previstos no projeto. Hoje, apenas na ala ortopédica, quase 18 mil pessoas aguardam procedimento cirúrgico.

Contradições

Durante a campanha que o elegeu governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha criticou duramente a gestão centralizada da saúde na capital. O Instituto Hospital de Base, inclusive, era alvo do então candidato. “Eu vou acabar com [o modelo] instituto”, chegou a declarar num encontro com servidores da área.

Na solenidade de assinatura do SOS Saúde, porém, o novo governador rasgou elogios ao IHB, prometendo estender o modelo de gestão da unidade ao resto do Distrito Federal. Alegando falta de explicações do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), Ibaneis agora defende que o modelo “se espalhe pelo Distrito Federal”.

Por Olavo David Neto, sob supervisão

8 de janeiro de 2019