Um elefante branco incomoda muita gente, mas três incomodam muito mais

Por Adelmir Santana

Um elefante, dois elefantes…
Um “elefante branco” incomoda muita gente. Três incomodam muito mais. Manter o Estádio Mané Garrincha, o Ginásio Nilson Nelson e o Complexo Aquático Nelson Coutinho nas mãos do governo significa, hoje, ampliar o prejuízo de toda a população de Brasília. É preciso defender a concessão desses equipamentos para iniciativa privada, como propõe o atual governo, antes que eles estejam completamente abandonados e o estádio se perpetue como um dos maiores símbolos da corrupção nacional. Arcar com a gestão e o custo desses aparelhos não deve ser uma missão estatal, ainda mais em tempos de crise econômica. Não é função e nem dever do Estado cuidar de campo de futebol, iluminação de ginásio ou água para piscina. Atualmente, esses equipamentos só trazem prejuízos, com altos custos de manutenção e ociosidade. Entregar a sua administração para empresas ou grupos especializados significará uma receita extra para o Estado e mais opções de esporte, cultura e lazer para população.

Paquidermes de Brasília
Infelizmente, o complexo esportivo não é o único paquiderme brasiliense. Também fazem parte dessa lista de equipamentos públicos extremamente onerosos o Zoológico de Brasília, o Parque da Cidade, a Torre de TV, a Torre de TV Digital, o Teatro Nacional, o Centro de Convenções e o Parque de Exposições da Granja do Torto. Os críticos das parcerias público-privadas podem dizer que todos esses espaços fazem parte da história da capital federal e por isso não podem ser privatizados. É uma meia verdade. De fato, eles são fundamentais para Brasília e sua população, por isso são tão valiosos. Mas não significa que não possam ser administrados por empresas privadas e que o acesso ao público não possa ser democrático. É melhor ter um Teatro Nacional aberto e belo, com inúmeras atrações a preços populares, do que um Teatro Nacional caindo aos pedaços.

Grande e inchado
Todos esses equipamentos públicos onerosos e mal administrados fazem parte de um modelo de Estado ultrapassado, quando os governantes populistas se preocupavam apenas em inchar a máquina pública com cargos e criar dificuldades para vender facilidades, estimulando a burocracia e premiando a ineficiência. O fato é que o Estado não pode permanecer sendo uma fonte empregatícia como se convencionou nos últimos anos. No DF, isso é especialmente alarmante. Hoje, as despesas com a folha de pessoal consomem 77% de toda a receita da administração. Outros 20% são gastos para manter a máquina e 1% vai para quitar as dívidas com a União. Sobram apenas 2% para investimento. Com esse Estado grande, inchado e ineficiente, é quase impossível fazer aquilo que realmente importa: investir em educação, saúde, segurança e transporte.

Como se não bastasse
Com tantas dificuldades administrativas que Brasília atravessa e com tantos problemas que os brasilienses enfrentam, como crises na saúde e nos transportes, a população ainda é surpreendida com a notícia de que os presos do regime semiaberto serão liberados de 9 a 12 de junho para aproveitar o período de festas juninas. A previsão é de que 915 apenados deixem o sistema carcerário. Por mais que alguns especialistas digam que a medida contribui para a ressocialização, o cidadão fica preocupado e inseguro. Muitos trabalhadores sequer conseguem sair de suas casas por causa da violência. Por outro lado, os presos estarão nas ruas. É um absurdo.

Na cadeia
Causa decepção nos brasilienses o envolvimento de tantas lideranças políticas da cidade em denúncias de corrupção. Brasília conseguiu ter, ao mesmo tempo, dois ex-governadores, dois ex-senadores e dois ex-vice-governadores presos. Novas denúncias surgem contra atuais mandatários do Poder. A cidade vai ficando órfã de bons exemplos de gestores públicos.

12 de junho de 2017