Viajando sem crianças

Por Kelly Kareline Cordova

Apesar de não ser assim uma mãe tão experiente, tenho mais tempo de maternidade que 80% das minhas amigas e muitas delas ainda se chocam com o fato de eu viajar com meu marido sem os filhos.

Aqui demorou um pouco, mas agora buscamos fazer isso de vez em quando (pelo menos uma vez por ano), mas aquele sentimento de estar fazendo alguma coisa errada ainda vem a cabeça. Dá uma dor na consciência saber que estamos nos divertindo, enquanto as crianças estão  em casa.

Desde o final do ano passado ficava dizendo que precisava muito ir a um show do U2. Parece que eles me ouviram e lá fui eu em busca dos meus ingressos. Compramos, mas como levar criança pequena pra show? O jeito foi deixar com a vovó.

Enquanto mamãe e papai curtiam o show, as crianças se divertiam com a vovó.

Ao mesmo tempo que a gente vibra com a “liberdade” momentânea o sentimento de culpa acompanha. No fim das contas as crianças também curtem sair da rotina. Ficam com a vovó, tomam sorvete em plena quinta-f,.l.p   eira e vão dormir mais tarde. A Sofia que já tem 7 anos, de vez em quando pergunta quando vamos viajar sozinhos, só pra ela aproveitar a companhia da vovó. O Fernando que ainda nem completou 2 anos, parece sentir mais falta. Acorda de madrugada, chama a mamãe e o papai, mas fica super bem durante o dia, brinca, se alimenta bem, mas o coração dos pais se derretem.

Eu acho que é importante para os pais e para o casal ter esses momentos a dois e viagens curtas são um bom começo pra começar a tomar coragem. Já passamos mais dias longe da Sofia, mas ela tinha 4 anos, como o Fernando ainda é muito bebê as viagens são curtinhas, até porque ele ainda  mamava e eu precisava tirar leite pra ele e ordenhar durante toda a viagem (mamava, porque parou de mamar agora nessa viagem pra ver o U2, assunto para outro texto).

 
A primeira viagem sem crianças 

Como jornalista precisava viajar a trabalho desde que Sofia tinha um ano e sempre foi meio sofrido, talvez por não ter escolha foi bem difícil optar por viajar sem ela. Isso aconteceu pela primeira vez quando fomos para a Espanha. Era uma viagem muito puxada e ela não iri curtir os programas. Estávamos precisando de uma “aventura” diferente, fazer coisas de adultos, por assim dizer. Depois que nos tornamos pais, perdemos um pouco essa identidade. Viramos a mãe e o pai da Sofia e do Fernando. Mas não só isso e essas escapadas ajudam a retomar a identidade.

Sofia já tinha 4 anos e passamos duas semanas longe dela. A rotina por aqui seguiu normalmente, ia para a escola, ficou com os padrinhos, com os tios,  primos e principalmente com a minha mãe. O WhatsApp ajudou a matar a saudade e a verdade é que ela nos surpreendeu e ficou muito bem! Em nenhum momento relatou sentir nossa falta.

A primeira viagem deixando o Fernando  foi nas Olimpíadas do ano passado. Confesso que não me liguei com as datas. Compramos os ingressos com tanto tempo de antecedência que nem percebi que ele estaria com apenas 8 meses. Cogitei levá-lo, mas a pediatra recomendou que não fizessemos isso. Seriam poucos dias, eu poderia estocar leite materno e continuar tirando com a bombinha lá. Eu tinha medo do desmame. Mas deu tudo certo (apesar de ficar vazando e sentindo dores no peito). Quando eu cheguei a primeira coisa que ele quis foi mamar. Não recomendo viajar enquanto o bebê mama, mas optei pelo fato de ser uma olimpíada. Ele tomou leite ordenhado e inclusive dormiu a noite toda nos dias que eu fiquei fora (ele não dormia a noite inteira comigo 🤔).

E você? Já se aventurou em uma viagem sem crianças? Conta pra gente.

1 de novembro de 2017